Criando encontros seguros e inclusivos na comunidade

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A Casa Hacker foi criada para ser um espaço inclusivo onde a comunidade encontra-se para explorar, desenvolver e participar das tecnologias digitais, suas raízes estão em espaços diversos com uma ampla diversidade de pessoas que tem:

  • histórico de vida

  • situação familiar

  • gênero

  • estado civil

  • sexo

  • orientação sexual

  • língua materna

  • idade

  • capacidade

  • etnia

  • nacionalidade

  • status socioeconômico

  • religião

  • e localização geográfica

diferentes, isso significa que além de desenvolver atividades com uma rica abordagem, recursos técnicos e didáticos nós devemos construir iniciativas que apoiam uma comunidade onde todos sintam-se seguros de participar, apresentar novas ideias e inspirar outras pessoas.

A organização de encontros — oficinas, cursos, reuniões e, pequenos e grandes eventos — nas comunidades locais requer estratégia e execução cuidadosa. Há muitos fatores que afetam o conforto, a atenção e a participação ideal de um indivíduo. Como facilitador, é importante personalizar esses encontros de acordo com suas necessidades, certificando-se de incentivar um ambiente adequado, inclusivo e de apoio a diversidade.

O objetivo deste guia é capacitar os facilitadores com o know-how necessário para garantir uma organização eficaz e impactante de encontros que acontecem nas comunidades locais.

Neste guia você encontrará dicas sobre:

  • Criar espaços de aprendizagem seguros e convenientes;

  • Lidar com tópicos controversos que podem surgir;

  • Entender vieses inconscientes;

  • Criar uma experiência de participação ideal.

Leia também nosso código de conduta:

Colocamos as pessoas em primeiro lugar e fazemos o nosso melhor para reconhecer, valorizar e respeitar a diversidade dos nossos contribuidores. Sendo assim, adotamos este código de conduta e exigimos a todos que participam a concordar e aderir a estas diretrizes para participação na comunidade a fim de nos ajudar a criar uma experiência segura e positiva para todos da comunidade.

 

Criando espaços de aprendizagem seguros e convenientes

Comunicações detalhadas que antecedem o encontro são essenciais. A tecnologia pode ser uma ferramenta útil para facilitar essa comunicação. Como facilitador, você pode usar plataformas virtuais, como grupos do Facebook e WhatsApp ou criar páginas de eventos no Eventbrite por exemplo, e compartilhar informações importantes sobre a segurança, localização, programação e fatores logísticos. Certifique-se de que os participantes podem acessar facilmente o local e um espaço com segurança e conforto.

Informe claramente o propósito do encontro e o valor para os participantes. Por exemplo, envie um e-mail antes do encontro para os participantes informando que “o encontro é para toda a comunidade local, independente de idade, e que será um espaço onde todos podem compartilhar, apoiar e colaborar juntos” permitirá aos participantes comparecer ao encontro com essa expectativa. Isso garantirá que os participantes sintam-se entusiasmados e a vontade com o assunto/temática do encontro.

Enquanto estiver no encontro, crie um ambiente confortável de aprendizado e troca de ideias, compartilhando regras básicas desde o início. O objetivo das regras básicas é criar um espaço inclusivo, certificando-se de que os indivíduos sintam-se que podem expressar sentimentos, opiniões e ideias de uma forma que seja bem-vinda e incentivada.

Aqui estão exemplos de regras básicas:

  • Ouça ativamente - respeite os outros quando eles estão falando.

  • Fale de sua própria experiência em vez de generalizar ("eu" em vez de "eles", "nós" e "você").

  • Não tenha medo de desafiar um ao outro respeitosamente fazendo perguntas, mas evite ataques pessoais - concentre-se nas ideias.

  • Participe ao máximo e empodere os demais - o crescimento da comunidade depende da inclusão de cada voz individual.

  • Ao invés de invalidar a história de outra pessoa com outras histórias e experiências, compartilhe sua própria história e experiência.

  • O objetivo não é concordar - é obter uma compreensão mais profunda.

  • Seja consciente da linguagem corporal e das respostas não verbais - elas podem ser tão desrespeitosas quanto as palavras.

Pergunte aos participantes se existem outras regras que possam beneficiar o grupo? Dê aos participantes informações sobre quem eles podem contatar durante o encontro, se quiserem fazer perguntas ou tirar dúvidas. Você pode voluntariar-se, outros facilitadores ou direcionar para canais externos de apoio. É importante entender as expectativas dos participantes para ajudar você a estruturar e facilitar o conteúdo do encontro, bem como garantir que você tenha atendido as expectativas dos participantes. Depois de criar um espaço no qual as pessoas sentem-se que podem contribuir, mude a conversa para o motivo de você estar lá e o que aprenderá nesse dia.

Atividades que criam espaços seguros

Considere incluir atividades, como jogos ou quebra-gelos que ajudem a sensibilizar e reforçar um espaço seguro, apoiador e colaborativo.

Algumas ideias incluem:

  • Prepare um encontro para criação de um código de conduta em que todos podem expressar seus valores, estabelecer comportamentos aceitáveis e inaceitáveis, incluindo consequências, e estilos de comportamento seguros e ideais.

  • Antes de iniciar uma atividade, peça a cada participante para compartilhar por que o tópico abordado no encontro é importante para a comunidade.

  • No final do encontro, as pessoas compartilham seu apreço por algo que outro participante na sala disse ou fez no encontro. Se optar por uma apreciação mais privada, dê aos indivíduos alguns minutos no final do encontro para se comunicarem diretamente.

Lidando com tópicos controversos que podem surgir

Muitas vezes, ao abordar certas questões relacionadas especificamente a diversidade e inclusão, a conversa pode tornar-se desafiadora. Os participantes podem ter fortes reações e sentimentos em relação ao que está sendo discutido. Os facilitadores devem estar cientes do risco e que pontos de tensão podem ocorrer. Geralmente ocorrem quando se lida com:

  • Gênero;

  • Etnia;

  • Orientação sexual;

  • Violência (on-line e off-line);

  • Privacidade e segurança;

  • Diferenças de culturais.

Esses pontos de tensão podem resultar em indivíduos:

  • Culpando uns aos outros;

  • Frustrando-se sobre identidade, incluindo orientação sexual, gênero, cultura etc.

  • Tornando-se desconfortável;

  • Sentindo-se oprimido pela reação dos outros no espaço;

  • Sentindo-se sem apoio ou isolado por causa dos comentários feitos.

Veja algumas dicas para garantir que você esteja criando um espaço que seja o mais seguro possível para todas as pessoas envolvidas em conversas de alto risco:

  • Informe os participantes que você abordará tópicos delicados para que eles tenham tempo de compreender por conta própria;

  • Referencie as regras básicas acordadas quando necessário;

  • Incentive as opiniões daqueles que não estão mais opinando ou, se for mais apropriado, pergunte por que eles não estão participando de maneira direta e privada;

  • Peça às pessoas para se concentrarem nos resultados e soluções, em vez de se concentrarem apenas nos problemas;

  • Faça verificações regulares em grupo para ver como eles sentem-se depois de uma conversa difícil;

  • Divida-se em grupos menores onde os indivíduos possam sentir-se mais confortáveis participando abertamente.

Entendendo Vieses Inconscientes

O que é viés inconsciente?

  • Sua mente faz 50.000 associações “rápidas” por uma associação “lenta”;

  • Baseia-se nas informações que coletou passivamente toda a sua vida;

  • A mente inconsciente é poderosa e pode surpreendê-lo/a;

  • Nós não controlamos o viés inconsciente, mas controlamos a ação consciente, é uma oportunidade para nos livrarmos da culpa, mas somos responsáveis pela mudança.

Geralmente, não percebemos que tomamos decisões tendenciosas. Noções enraizadas fortemente mantidas sobre normas e responsabilidades masculinas e femininas podem resultar em vieses pessoais e refletem na escolha de palavras, ações e atuação como um facilitador. Isso pode resultar, por exemplo, em dar maior atenção aos homens e menos as mulheres em conversas sobre temas técnicos, ou referir a profissionais como "ele" e aqueles que tomam responsabilidades domésticas como "ela", etc. É importante entender como isso pode afetar a dinâmica de um grupo.

Teste seu viés inconsciente no Teste de Associação Implícita de Harvard.

E, aprenda mais com os seguintes recursos:

Criando uma experiência de participação ideal

É importante que os encontros, o processo de facilitação e os materiais sejam criados ou adaptados para a realidade e necessidade local. Criamos uma lista de verificação para trabalhar e analisar antes do encontro:

  • A base curricular e os recursos didáticos são respeitosos? Materiais didáticos como vídeos, textos e qualquer outra obra que desrespeita a história, gênero, sexualidade e qualquer outra dimensão da diversidade, não são adequados e não devem ser usados.

  • Os exercícios e o aprendizado são práticos, interativos e permitem que os indivíduos trabalhem em grupos? As atividades devem ser sociais e o aprendizado em grupos empodera todos os indivíduos!

  • Serão criados grupos de trabalho com o critério da diversidade? Potencialize a troca de experiências, aprendizados e ideias diversificando os grupos por idade, gênero, capacidade, estado civil, etc.

  • Há tópicos controversos? Somos capazes de moderar e mediar pontos de tensão?

  • Existem oportunidades para conversar em pequenos grupos, onde os indivíduos podem se sentir mais à vontade para compartilhar sua opinião? Explore o espaço disponível, distribua grupos em salas e cantos diferentes, e monitore a participação constantemente visando apoia-los no desbloqueio de suas ideias.

  • Há oportunidades para que os participantes tenham atribuições como moderador, anotador, etc? Envolver os participantes na construção do encontro permite que os indivíduos possam ser protagonistas do próprio aprendizado, além de gerar confiança e transparência.

  • Há espaços seguros que você pode recomendar aos participantes após o encontro para continuem compartilhando, conversando e refletindo? Grupos de WhastApp, Facebook e até agendamento de um próximo encontro são suficientes para que continuem fomentando o aprendizado.

Lembre-se de ser:

  • Aberto

  • Honesto

  • Respeitoso

  • Compreensivo

leia, ouça e estude com recursos externos

Código de conduta na casa hacker

A Casa Hacker possui seu próprio código de conduta universal que deve nortear a inclusão e o estilos de comportamento esperados de todos - equipe de produção, facilitação, contratados, remunerados ou não, fornecedores e parceiros - durante os encontros. O código de conduta é reforçado por meio de cartazes nas paredes e displays em L nas mesas de trabalho, presentes em todos os espaços do projeto.

Time de apoio a diversidade e inclusão

Todos são encorajados a fazerem perguntas sobre este guia orientativo. Se você estiver organizando um encontro ou atividade, procure dicas para estabelecer a inclusão para seu evento, atividade ou espaço. Sua opinião é bem-vinda e você sempre receberá uma resposta em até 72 horas (ou no próximo dia útil, no caso de fim de semana) ao entrar em contato pelo e-mail falae@casahacker.org.

E, caso você faça parte de um coletivo ativista ou organização que trabalha em prol da diversidade e inclusão e deseja conduzir processos de formação em diversidade em inclusão na Casa Hacker, entre em contato conosco pelo e-mail falae@casahacker.org.

Créditos