Plano Estratégico Casa Hacker 2018-2019

 
 

PORQUE INCLUSÃO E ALFABETIZAÇÃO DIGITAL NA PERIFERIA DE CAMPINAS?

A Internet, como uma poderosa ferramenta para reduzir a desigualdade social

As tecnologias modernas do século XXI mudaram radicalmente as nossas vidas nos últimos 10 anos: na Internet nossa vida pessoal, civil e econômica conectam-se; no meio acadêmico as tecnologias modernas e a Internet é usada desde os primeiros fatos históricos da web; no mundo dos negócios e corporativo não é diferente desde o avanço e aprimoramento das tecnologias da informação que permitiram a globalização mundial. Segundo o Internet Live Stats, em 2016, 66,4% dos brasileiros estavam conectados a Internet, o país  ainda ocupa o 4º lugar no ranking de usuários da Internet que representa mais de 139 bilhões de brasileiros conectados e a perspectiva é de que outros milhões conectarão-se a Internet nos próximos anos.

Conectar-se a Internet pode ser um desafio para muitos em nosso país, de grandes metrópoles a pequenas comunidades, mas apenas conectar-se a Internet não é suficiente, é necessário dominar 53 habilidades digitais apenas para usar a Internet móvel e quando essas habilidades não são desenvolvidas torna-se fácil visualizar os impactos na nossa sociedade: as “fake news” ou “notícias falsas” que espalham e potencializam-se por meio das redes sociais e aplicativos de smartphones em todo o mundo e podem até influenciar eleições presidenciais; segundo uma uma pesquisa da Quartz, 55% dos brasileiros acham que o Facebook é a internet, demonstrando que o ato de apenas consumir conteúdo reflete a necessidade da alfabetização digital que permite o usuário consumir conteúdo de forma crítica, fazer parte da construção de conteúdo e participar de oportunidades on-line.

Na melhor das hipóteses, a Internet é um bem público essencial: Mas, na medida em que é usada para promover a aprendizagem e promover a justiça, a Internet também é usada de maneiras que amplificam a desigualdade. Muitas pessoas, especialmente aquelas que historicamente foram excluídas ou marginalizadas, não podem acessar, beneficiar ou influenciar plataformas digitais.


O mapa da desigualdade social na região

Por outro lado, a desigualdade social e o abandono das áreas periféricas ainda são as marcas mais tristes da realidade de nosso país. Em nosso município, apenas 30,2% da população tem rendimento nominal mensal per capita de até 1/2 salário mínimo e a incidência de pobreza no município é de 9,83% (dados do Mapa de Pobreza e Desigualdade do IBGE).

A região do Campo Grande, área de atuação do projeto, é definida pela administração pública como Região Noroeste ou ainda como AR 13 (Área Regional). Caracteriza-se basicamente como área residencial e, segundo o Censo Demográfico de 2000, sua população era de 196.381 habitantes (20,26% da população de Campinas), sendo 2,3% em área rural e 97,7% em área urbana. A população favelada era de 45.451 pessoas, representando 23,14% da população urbana e 35,61% da população favelada do município, ou seja, um quadro de significativo adensamento populacional.

Apresenta déficit de atividades no setor de comércio, serviços e indústria, com pouca geração de emprego e renda e, ampliando a demanda da população por transportes públicos. O sistema de transporte coletivo é precário, caro e ineficiente. Há dois subcentros locais, no entorno do terminal de transporte coletivo, localizado no Parque Valença e outro às margens da Avenida John Boyd Dunlop, no Jardim Florence.

A Praça da Concórdia é a região central do distrito campineiro de Campo Grande. Situa-se no bairro Parque Valença.

A Praça da Concórdia é a região central do distrito campineiro de Campo Grande. Situa-se no bairro Parque Valença.


As pessoas precisam ter a capacidade de moldar a Internet e suas experiências

Acreditamos no acesso a uma Internet que é estruturalmente projetada para promover transparência, privacidade, acesso ao conhecimento e liberdade de expressão para todas as pessoas. Como a velocidade da mudança tecnológica supera a compreensão pública, nosso trabalho concentra-se no fomento da inclusão e alfabetização digital, e a formação cidadã contribuindo para uma geração que seja autônoma tecnologicamente e esteja melhor preparada para definir os rumos do desenvolvimento tecnológico na sociedade.

Porque programas de liderança de impacto e aprendizado?

Os problemas

É visível que governos locais, escolas, organizações da sociedade civil, centros de cultura e outros relacionados na cidade de Campinas não exploram, constroem e participam das tecnologias modernas, por falta de investimento, interesse e desinformação, e nem mesmo programas de alfabetização digital efetivos são implementados para encorajar a sociedade a descobrir as oportunidades on-line.

Os desafios

Hoje, mais necessário que nunca, é momento de mudar esse status na região Campo Grande, por tanto, temos em mente dois desafios primários:

  • Explorar, aprender, criar e compartilhar conhecimento sobre tecnologias da informação e comunicação na comunidade de forma única que permitirá também desenvolver habilidades essenciais do século XXI.

  • Engajar líderes de impacto social para fomentar a mudança local, queremos empreendedores, educadores, gestores, ativistas, tecnólogos, estudantes e usuários de plataformas móveis preparados para enriquecer seus negócios, escolas, organizações, causas, universidades e suas famílias com o poder das tecnologias da informação e comunicação, também queremos que esses stakeholders sejam protagonistas desse ecossistema digital.

Teoria da Mudança

Anexo I - Teoria da Mudança.png

Porque a Casa Hacker?

A Casa Hacker é um espaço hacker dedicado a colocar você no controle de sua experiência digital e a moldar o futuro da tecnologia da informação e comunicação para o bem público.

É um projeto em estágio inicial, visionário e capaz de engajar: a comunidade para explorar, construir e participar do mundo digital; e líderes de impacto social. Os recursos exclusivos que trazemos para essa tarefa incluem:

  • Iniciativa sem fins lucrativos: Criada com a comunidade a iniciativa não tem visão de negócios orientados a lucros.

  • Missão: Nossa missão é garantir que todos tenham a capacidade de moldar a Internet e suas experiências em um ecossistema digital humano, inovador, aberto e acessível a todos.

  • Intersetorialidade: Estamos conectados com diversos setores historicamente vitais para o desenvolvimento de nossos programas.

  • Conexão com redes e movimentos: Nossa luta conecta-se a outros movimentos, por tanto, lutamos juntos e melhor quando temos objetivos comuns pelo desenvolvimento local.

  • Equipe: Somos experientes, um coletivo formado por profissionais de tecnologia, sociais e culturais, somando anos de experiência a diversidade de visões, estratégias e formas de trabalhar.

  • Valores do movimento de código aberto: Nós acreditamos que o  software livre e aberto propicia a inovação, e por isso, nossas iniciativas são desenvolvidas usando princípios do software livre e aberto.

  • Transparência: Uma iniciativa criada pela comunidade não poderia deixar de ter processos transparentes pois resultam em confiança e coletividade.

  • Avaliação de Impacto: Nós sabemos que atingir metas é importante, mas não o suficiente para comprovar os impactos dos nossos programas, por tanto, queremos a longo prazo envolver a academia e pesquisadores independentes em nossos programas para garantir uma avaliação de impacto imparcial.


Programas

Explorar, construir e participar do mundo digital

//Iniciativa chave: Alfabetização Digital
//Impacto: A comunidade local  é capaz de explorar, construir e participar do mundo digital.

Visão

  • Engajar a comunidade local a explorar, construir e participar do mundo digital, tornando-se não apenas consumidores de conteúdo digital, mas capazes de influenciar plataformas digitais a fim de criar uma Internet inclusiva, diversa e descentralizada.

Atividades

  • Oficinas práticas, centradas na produção e sociais. Participantes engajam-se facilmente quando estão desenvolvendo projetos que gostam e estão com pessoas da comunidade que os apoiam e encorajam.

  • Construção de currículo livre, aberto e testado por educadores. Curar e co-criar uma coleção de recursos, cronogramas, planos e atividades de ensino que são livres, abertas e adaptáveis. Cada recurso é fundamentado em um currículo base, inclui instruções passo a passo e dicas para facilitação de atividades.

  • Engajamento regular. Por meio de atividades regulares, os participantes aprofundam seu aprendizado enquanto tem acesso a infraestrutura para criar e co-criar livremente e oportunidades de conectar-se com outros espaços, iniciativas e programas externos que os ajudarão a crescer e participar de um ecossistema amplo nacional e global de centenas de comunidades de tecnologias.

  • Construção de espaço/laboratório. Nosso espaço possui uma infraestrutura enxuta, essencial e no coração cultural da comunidade.

  • Abertura. A medida que nossos recursos, metodologias e ações são desenvolvidas nós licenciamos e disponibilizamos abertamente para fomentar a inovação. Nós também usamos preferencialmente recursos livres e de código aberto. Abertura também significa que todos são bem-vindos, colocamos as pessoas em primeiro lugar e fazemos o nosso melhor.

  • Cidadania. As diferentes tecnologias sempre deverão ter como fundamento básico o exercício da cidadania ativa, a participação comunitária e a convivência humana saudável. É necessário aprendermos conceitos para a compreensão do fazer social, construirmos novas relações e consciências. Através das relações que estabelecemos com os outros, com a coisa pública e o meio ambiente, perpassamos temáticas como a solidariedade, a democracia, os direitos humanos, respeito à diversidade e a ética. Para termos condições de tomar a melhor decisão é necessária a plena liberdade de informação, permitindo as pessoas formarem livremente sua opinião, com base no maior número possível de dados. As reflexões sobre esses aspectos ocorrerão em oficinas temáticas:  noções de cidadania; respeito à diversidade, gênero e combate ao racismo; e mobilização pelas redes sociais.

Qual é o sucesso a curto prazo?

  • Comunidade local completa nosso cronograma de atividades essenciais, é capaz de continuar aprendendo nas próximas trilhas livres de oficinas.

  • Comunidade local compreende o mundo digital, criam projetos usando tecnologias livres e licenciam conteúdo abertamente.

  • Pessoas alfabetizadas digitalmente  tornam-se multiplicadoras e juntam-se a rede de líderes de impacto social.

Qual é o sucesso a longo prazo?

  • Empresas, governos, escolas, organizações e as comunidades exploram, constroem e participam da Internet com propriedade e impulsionam suas iniciativas com as tecnologias da informação e comunicação.

Engajar líderes de impacto social

//Iniciativa chave: Formação em alfabetização digital para líderes comunitários
//Impacto: A comunidade local  é a principal protagonista da Casa Hacker e de programas de alfabetização digital locais, ela também influencia suas carreiras e organizações.

Visão

  • Influenciar líderes comunitários na produção e desenvolvimento de programas e projetos de alfabetização digital, inovação, criação, ciência e tecnologia — tornando a Casa Hacker referência em aprendizagem de tecnologias modernas.

Atividades

  • Engajar, formar, mentorar e apoiar líderes comunitários criando uma comunidade de pessoas altamente engajadas e comprometidas com nossa missão. Os líderes comunitários têm acesso às melhores práticas e orientação da equipe do projeto que é conectada a programas e iniciativas globais e recebem formações, atualização e boletins informativos regularmente além de participar de reuniões comunitárias globais, fóruns públicos e tem acesso a uma lista crescente de recursos abertos.

Qual é o sucesso a curto prazo?

  • Líderes comunitários engajados na produção, liderança e gestão da Casa Hacker, aprendendo junto a equipe do projeto como liderar o programa abertamente e estrategicamente, envolvendo-se desde a execução de atividades de projetos já existentes a criação e produção de novos projetos inovadores que nos ajudarão a cumprir nossa missão.

Qual é o sucesso a longo prazo?

  • Líderes comunitários descentralizam suas ações, levam nossa missão para outras comunidades, organizações, grupos e iniciativas; influenciam políticas públicas em ciência e tecnologia; descobrem novos talentos, habilidades e crescem profissionalmente.