Mulheres que transformam territórios: lideranças periféricas que constroem caminhos coletivos

Em diferentes territórios periféricos, mulheres têm assumido papéis fundamentais na construção de soluções que nascem da realidade e dialogam diretamente com as necessidades das comunidades. São lideranças que atuam com coragem, sensibilidade e estratégia, transformando desafios em ações concretas de impacto social.

No contexto do HUB Quebrada em Movimento, impulsionado pela Casa Hacker, essas mulheres representam a potência de iniciativas que fortalecem vínculos, promovem direitos e constroem novas possibilidades nos territórios.

Lideranças femininas em diferentes frentes de atuação

As iniciativas apoiadas pelo HUB evidenciam a diversidade de caminhos possíveis para promover impacto social, da saúde mental à educação, da agricultura urbana ao fortalecimento de mulheres.

Na frente de educação, formação e fortalecimento institucional, a atuação de Aline Figueredo, fundadora da Teoria na Prática®, evidencia a potência de iniciativas que nascem da experiência direta com o território.

Educadora social e assistente social, moradora da região do Campo Grande, em Campinas, Aline construiu sua trajetória ao longo de mais de 18 anos no Sistema Único de Assistência Social (SUAS), atuando com organizações, equipes e comunidades em contextos de vulnerabilidade social. Sua caminhada é marcada pelo fortalecimento de vínculos, garantia de direitos e desenvolvimento de práticas que ampliam oportunidades nos territórios.

A Teoria na Prática® surge durante a pandemia, inicialmente como uma iniciativa individual, e se transforma ao longo do tempo. A partir da mentoria no HUB Quebrada em Movimento, impulsionado pela Casa Hacker, o projeto se estrutura e evolui, ampliando seu alcance e impacto.

Hoje, Aline desenvolve assessorias, consultorias e processos formativos com metodologias personalizadas, voltadas principalmente a trabalhadores das políticas públicas e organizações sociais. Seu trabalho também inclui a produção de conteúdos aplicáveis, como guias práticos e materiais metodológicos, fortalecendo a atuação na ponta.

Cuidado coletivo e saúde mental no território

A força do território também se revela em histórias que nascem da dor e se transformam em cuidado coletivo. É o caso de Nádia Kelly Nunes da Silva, fundadora da ONG Gabriel.

Mãe de Gabriel Henrique Fernandes da Silva, Nádia transformou o luto pela perda do filho em uma iniciativa que hoje acolhe e apoia pessoas que enfrentam desafios relacionados à saúde mental e à depressão.

Fundada em 2022, no território do Campo Grande, em Campinas, a ONG Gabriel surge com o propósito de levar informação, escuta e apoio a pessoas e famílias que vivenciam momentos de sofrimento emocional. A iniciativa fortalece redes de acolhimento e contribui para a quebra de estigmas em torno da saúde mental.

Mais do que um projeto, a ONG representa um compromisso com a vida e com o cuidado coletivo: ninguém precisa enfrentar o sofrimento sozinho.

Território, meio ambiente e mobilização comunitária

O meio ambiente em destaque, entre as lideranças que transformam o território com ações concretas no dia a dia, está Fátima Alzira, agricultora urbana na Horta Comunitária do Parque Itajaí.

Moradora da região do Campo Grande, em Campinas, Fátima mobiliza pessoas, coletivos e instituições em torno da agricultura urbana, da preservação ambiental e do cuidado com o território.

Um dos marcos de sua atuação foi o cercamento de uma nascente próxima à horta, realizado de forma coletiva com moradores, associações e parceiros locais. Com apoio do HUB Quebrada em Movimento, impulsionado pela Casa Hacker, a ação fortaleceu o cuidado com o espaço e incentivou a preservação ambiental.

A iniciativa contribuiu para reduzir o descarte irregular de lixo e ampliar a consciência ambiental no território. Entre as ações desenvolvidas, destaca-se também uma peça de teatro com foco em educação ambiental, que leva uma mensagem potente: “Tudo que vai para a nascente volta para a gente.”

Fortalecimento de mulheres e construção de novos caminhos

No campo do fortalecimento de mulheres negras periféricas, o Coletivo Movimento Rosalina se destaca como uma iniciativa que integra cuidado, formação e desenvolvimento pessoal.

Fundado por Mariana Nunes, o movimento atua na criação de espaços seguros de escuta, acolhimento e fortalecimento emocional para mulheres da periferia.

Com atuação em Campinas, o coletivo desenvolve projetos voltados ao autoconhecimento, saúde mental e comunicação, sempre conectados às vivências reais das participantes. Suas ações promovem não apenas o desenvolvimento individual, mas também o fortalecimento coletivo e o protagonismo feminino.

Impulsionado pelo HUB Quebrada em Movimento, no projeto Oficineiras do Rosalina, o Movimento Rosalina amplia seu impacto ao fortalecer mulheres que lideram suas casas, seus negócios e seus territórios, com a primeira loja colaborativa de Mulheres Negras na região central de Campinas.

Mais do que um projeto, o coletivo se consolida como uma rede de apoio e pertencimento, onde cada mulher é incentivada a reconhecer sua potência e construir novas possibilidades de futuro.


Fortalecimento em rede e visibilidade das iniciativas


Atuando  em frentes diferentes, essas lideranças compartilham desafios, aprendizados e um compromisso comum com a transformação dos territórios. A troca de experiências entre elas fortalece não apenas seus projetos individuais, mas também constrói uma rede de apoio baseada na colaboração, no reconhecimento mútuo e no pertencimento.

Ao mesmo tempo, dar visibilidade a essas trajetórias é fundamental para ampliar o alcance das iniciativas e inspirar novas lideranças. Por meio de registros, redes sociais e espaços de comunicação, essas experiências ganham força, contribuem para a construção de narrativas mais positivas sobre as periferias e reforçam o reconhecimento do trabalho que já vem sendo realizado nos territórios.

Fica cada vez mais evidente que essas mulheres não apenas acompanham mudanças — elas conduzem e sustentam processos de transformação em seus territórios.

São elas que articulam redes, criam soluções e constroem caminhos, mesmo em contextos onde muitas vezes faltam recursos e oportunidades.

E, embora aqui estejam algumas dessas trajetórias, é importante reconhecer que existem muitas outras mulheres atuando nos territórios, promovendo impacto, cuidado e transformação no cotidiano. Este texto representa apenas uma parte de um movimento muito maior.

Neste Dia Internacional da Mulher, reconhecer essas histórias é também reafirmar um compromisso coletivo: fortalecer, apoiar e dar visibilidade a todas as mulheres que, todos os dias, transformam seus territórios com coragem, sensibilidade e ação. Parabenizamos cada uma delas.

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