Redes Conectadas: uma parceria que transforma
Desde 2024, a Casa Hacker desenvolve projetos de Inclusão Digital em parceria com quatro organizações: Casa Santana, CECOMPI, ADRA e Núcleo Calvariano. Juntas, essas instituições formaram o Redes Conectadas, iniciativa que integra o programa Inclusão Tech da Casa Hacker.
Com financiamento da FEAC, cada instituição construiu sua sala de informática. A Casa Hacker entrou com o suporte técnico, o desenvolvimento da metodologia e a aplicação das aulas — com seus próprios educadores atuando diretamente nas instituições. Crianças, jovens e adultos acima de 50 anos participaram de formações voltadas para tecnologias e segurança digital — momentos ricos em troca, aprendizado e aplicação prática.
Como etapa final do projeto, foi realizada uma formação para os educadores das quatro instituições. O objetivo era apresentar as trilhas de aprendizagem desenvolvidas para cada faixa etária e aprofundar o conhecimento sobre a metodologia adotada, para que cada educador pudesse dar continuidade ao projeto em sua própria instituição.
O Encontro
Em janeiro e fevereiro de 2026, aconteceu uma formação de 24 horas com os educadores das quatro instituições. Os temas centrais foram Pedagogia de Projetos e Inclusão Digital.
Ao longo dos encontros, foram abordados assuntos como: o que são habilidades digitais para diferentes faixas etárias, como aplicar trilhas pedagógicas, como planejar e avaliar projetos a partir da Metodologia Baseada em Projetos (ABP), e como utilizar diferentes plataformas em atividades pedagógicas.
O diferencial da formação foi justamente a forma como esses conteúdos foram trabalhados: a partir da própria metodologia da ABP. Os educadores investigaram os temas, levantaram hipóteses, testaram seus conhecimentos, analisaram materiais e criaram seus próprios projetos — tudo isso em troca com os colegas. Na prática, vivenciaram exatamente o que seriam desafiados a propor para seus alunos.

ABP x Metodologias Tradicionais: qual é a diferença?
A Aprendizagem Baseada em Projetos coloca o estudante no centro do processo. Inspirada em pensadores como John Dewey e aprofundada por pesquisadores como Bender (2012) e Johnson & Johnson (1999), a ABP valoriza a participação ativa, o trabalho cooperativo e a construção do conhecimento a partir de problemas reais. Os projetos precisam ser:
- Autênticos: conectados à realidade e com sentido genuíno para o aluno;
- Realistas: aplicáveis fora da sala de aula.
Quando o aluno enxerga significado no que aprende, o engajamento vem naturalmente.
Nas metodologias tradicionais, por outro lado, o foco está na memorização e na repetição de conteúdos. O aluno ocupa um papel passivo, sem necessariamente conectar o que aprende com sua vida real.
No contexto do ensino de tecnologias digitais, essa diferença é ainda mais evidente. Não basta saber executar um exercício — é preciso saber aplicar. E é exatamente isso que a ABP propõe.
Os resultados que ficaram
Durante as formações, era comum ouvir dos educadores que, ao serem indicados para o curso, não se sentiam preparados para trabalhar com tecnologias digitais. Ao longo do processo, no entanto, muitos relataram uma mudança significativa de perspectiva.
Isso porque havia um equívoco comum: acreditar que ensinar tecnologia exige ser um especialista técnico. A formação mostrou que o principal objetivo é desenvolver nos alunos um uso consciente, prático e responsável das ferramentas digitais — e isso está ao alcance de qualquer educador comprometido.
Um exemplo concreto: dias após a formação, uma educadora entrou em contato para contar que havia planejado uma aula utilizando toda a estrutura apresentada no curso. O resultado foi muito positivo — os alunos participaram ativamente, trabalharam em duplas e trouxeram grande satisfação à educadora.
Esse relato reforça uma ideia central: orientar educadores, apresentar estratégias e instrumentalizá-los faz toda a diferença para que consigam propor atividades que realmente atendam — e motivem — seus alunos.
Como dizia Paulo Freire: “A reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação teoria/prática. Sem ela, a teoria vira blá-blá-blá e a prática, ativismo.” (FREIRE, 1996). Pensar criticamente sobre o próprio fazer pedagógico é o que transforma um educador em um agente de mudança — e é exatamente isso que o Inclusão Tech busca despertar.
Referências
BENDER, W. N. Aprendizagem baseada em projetos: educação diferenciada para o século XXI. Porto Alegre: Penso, 2012.
DEWEY, J. Experience and education. New York: Macmillan, 1938.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
JOHNSON, D. W.; JOHNSON, R. T. Learning together and alone: cooperative, competitive, and individualistic learning. 5. ed. Boston: Allyn and Bacon, 1999.