
O Coletivo Vulcana, criado pela integrante Bruna Potenza, é um coletivo formado por mães moradoras da periferia de Campinas que orquestraram junto com seus filhos a peça Dijanira: Mulher Mãe do Campo Grande.
A peça foi criando forma com encontros intitulados Café com Maternidade que reúne mães que compartilham suas vivências e dificuldades.
Empatizando com essa dor, Bruna criou um espetáculo onde as mães poderiam levar os seus filhos e contracenar com eles, não dependendo de outros para cuidar. No espetáculo, foi dado espaço para que todas as crianças tivessem a liberdade de circular e se expressar livremente, transformando o espaço em acolhedor para as mães não precisarem escolher entre a arte ou o cuidado. Os filhos contracenam junto na peça e fazem parte da arte, refletindo a intolerância em ambientes em que a maternidade é vista como problemática.
A peça artística que reúne mães e filhos no cenário impacta não somente pelo inusual, mas sim na mensagem que a mulher quando se torna mãe pode ocupar vários palcos desejados ou não, devido a falta de rede de apoio, levando a desistir de sonhos ou objetivos pessoais. Nas periferias o problema se amplifica pela falta de recursos para as moradoras conseguirem gerir tempo, dinheiro, cuidado e educação.
O impacto para alguns espectadores ao primeiro olhar pode ser de estranheza, por incluir crianças e adultos sem o tema infantil. Transformando a arte em liberdade e crítica pela falta de implementações na sociedade para que os acessos e vozes dessas mulheres mães sejam ouvidas e igualitárias. Falar sobre mãe solo e das dificuldades de se criar um filho não deveria ser tabu e sim motivo de mudanças.
Depoimento de Bruna Potenza no evento Quebrada Talks 2025.
Este evento foi realizado pelo Hub Quebrada em Movimento com visibilidade das iniciativas de impacto socioambiental que estão mudando realidades nas periferias do território do Campo Grande.
Entrevistando Jeniffer Éffe’s
integrante do Coletivo Vulcana
Jeniffer atualmente com 35 anos, é moradora da periferia de Campinas, atriz, poeta e mãe de Lucas de 9 anos. Atua na arte desde os 16 anos e já participou de vários coletivos e movimentos artísticos. Se apaixonou pelas artes cênicas desde a infância através da dança, ao longo do tempo fez vários cursos e a formação de curinga no Teatro do Oprimido.
A partir de 2017, começou sua trajetória de criar oficinas e fazer parte de núcleos artísticos femininos e assim acabou conhecendo o coletivo Vulcana, integrando junto de seu filho na peça Dijanira.
A origem do nome do coletivo tem a referência de um vulcão ativo, comparando sua força e natureza com a de uma mãe solo que precisa ser forte e resiliente para criar os filhos, se desdobrando em múltiplas tarefas para conseguir dar conta das situações. Esta referência também foi colocada na peça com uma das atrizes carregando várias coisas nas costas.
Além do Vulcana, leva a arte para todos os seus trabalhos e tem como objetivo continuar em coletivos de mulheres e ampliar suas manifestações na arte com novas modalidades.
Jeniffer encerra a entrevista deixando uma mensagem para todas as mães: “Não deixe a chama apagar independente das suas dificuldades, não abandone os seus sonhos.”
