Da degradação da nascente à mobilização comunitária no território

A trajetória do Coletivo Ecoresistência na APP do Parque Itajaí 4 com apoio do Fundo da Quebrada

O projeto Eco Resistência na APP do Parque Itajaí 4 foi construído a partir de uma urgência concreta do território: proteger uma área de preservação permanente localizada na rua Adriana Altamira Cotomacci, abaixo da Praça João Amazonas, em uma região marcada pelo descarte irregular de lixo e entulho e pela presença de animais que agravavam o processo de degradação da nascente. Com apoio do Fundo da Quebrada, a iniciativa estruturou ações de limpeza, cercamento e mobilização comunitária para recuperar o espaço e fortalecer seu uso coletivo.

A preservação ambiental como ação de cuidado com a comunidade

Desde a inscrição, o projeto foi apresentado como uma ação de preservação e sustentabilidade voltada à limpeza da área, retirada de resíduos, cercamento da nascente e criação de condições para impedir novos descartes e proteger o espaço. Entre os resultados esperados estavam a melhoria do fluxo de água, a proteção da nascente contra animais e rejeitos e o fortalecimento da autoestima da população local, mostrando que a proposta não tratava apenas de uma intervenção ambiental, mas também de uma ação de cuidado com a vida cotidiana do bairro.

Ao longo da execução, essa perspectiva se confirmou. A prestação de contas registra que as ações beneficiaram cinco bairros do entorno, com impacto sobre aproximadamente 50 mil moradores que circulam pela região e mais de 5 mil residentes diretos no bairro. Já o relatório técnico de ações aponta 3 mil pessoas beneficiadas, o que mostra a amplitude territorial da iniciativa e sua relevância para além do ponto exato da nascente.

Mutirões, cercamento e proteção do espaço

A execução do projeto articulou diferentes frentes. Foram realizados três mutirões, somando 24 horas de atividades, com ações de cercamento, limpeza, logística de operação e oferta de alimentação para voluntários e comunidade. A instalação de mourões, arames, esticadores e a perfuração do solo foram centrais para garantir mais segurança à área. Também houve compra de luvas, sprays e sacos plásticos para os mutirões, além de custos de combustível, pedreiro e ajudante para viabilizar a operação no território.

Resultados e avanços da iniciativa

Os resultados alcançados mostram a importância de uma ação ambiental ancorada na participação popular. Os documentos registram que o espaço ficou mais seguro e limpo, favorecendo a circulação de moradores e o uso comunitário da área. Também aparece como avanço o aumento do engajamento da população, com presença de jovens e crianças nos mutirões, fortalecendo o senso de pertencimento e o vínculo com o território.

Esse ponto é especialmente importante porque a proposta inicial já vinculava a recuperação ambiental a uma transformação mais ampla na relação da comunidade com o espaço. Ao cercar, limpar e reorganizar a área da nascente, o Coletivo Ecoresistência não apenas protegeu um bem ambiental, mas também ativou uma experiência coletiva de cuidado e responsabilidade compartilhada sobre o território.

Articulação e mobilização em rede

A iniciativa também ganhou força por meio das parcerias construídas ao longo do processo. Entre os apoios registrados estão a Associação de Moradores do Parque Itajaí 3 e 4, voluntários locais, comerciantes da região, PROESP, pequenos agricultores, Quebrada em Movimento, Horta Comunitária, MPA Campo Grande, Pé na Estrada e ONG Gabriel. Esses apoios envolveram mobilização, instalação da cerca, limpeza, apoio logístico e colaboração com insumos e alimentação, mostrando que o projeto foi sustentado por uma rede comunitária diversa.

Essa dimensão coletiva ajuda a explicar por que a ação teve reverberação para além da obra física. O cercamento da nascente se tornou também um ponto de encontro entre moradores, organizações e parceiros locais, reforçando a ideia de que a preservação ambiental ganha mais força quando se transforma em pauta compartilhada no território.

Registro em vídeo da atividade

O registro audiovisual dessa experiência pode destacar justamente o caráter coletivo da ação. As evidências apresentadas pelo coletivo mostram mutirões de limpeza, participação de moradores, jovens e crianças, instalação do cercamento, retirada de resíduos e mobilização em torno da proteção da nascente. Em um projeto como esse, o vídeo ajuda a mostrar que a recuperação da área não foi apenas uma obra pontual, mas um processo comunitário de cuidado ambiental.

Compartilhamento nas redes

Nas redes, a comunicação do projeto também cumpre um papel importante de sensibilização e continuidade. A prestação de contas registra a produção de panfletos informativos e aponta o perfil @ecoresistencia1 como canal de divulgação. Esse tipo de comunicação amplia a visibilidade da ação, fortalece a mensagem de preservação e ajuda a manter viva a mobilização contra o descarte irregular de lixo na região.

Perspectivas para as próximas atividades

As possibilidades de continuidade já aparecem de forma clara nos próprios documentos do projeto. O coletivo indica que a manutenção dos resultados depende da continuidade dos mutirões junto à população que utiliza o local como via de acesso, abrangendo nove bairros, além da busca por novas parcerias com comerciantes, voluntários e instituições públicas para sustentar o monitoramento e futuras ações de preservação. Isso mostra que o Fundo da Quebrada foi importante não apenas para viabilizar uma intervenção imediata, mas para consolidar uma base de proteção e mobilização que pode seguir ativa no território.

No caso do Coletivo Ecoresistência, o apoio do Fundo da Quebrada permitiu transformar uma situação de degradação ambiental em uma experiência concreta de recuperação, cuidado e engajamento comunitário. O projeto mostra que ações de preservação ganham ainda mais potência quando combinam infraestrutura, mobilização popular e compromisso contínuo com o território.

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