Entre Metas e Transformações: O PDI como Ferramenta de Fortalecimento das Lideranças do Inova Quebrada

Primeiro Encontro da Assessora de Impacto com as Lideranças e a Equipe do Inova Quebrada

Escuta e Planejamento

Desde Agosto de 2025, tenho acompanhado de perto a trajetória das lideranças participantes do Inova Quebrada como Assessora de Impacto. Ao longo dessa jornada, vivenciei processos de escuta, planejamento, desafios, conquistas e muitas transformações. Nesse período, tive a oportunidade de acompanhar iniciativas diversas, construídas a partir das necessidades, sonhos e potencialidades de seus territórios.

Quando iniciei os acompanhamentos, cada liderança chegava com experiências, desafios e objetivos diferentes. Algumas já possuíam ações estruturadas e em andamento, outras buscavam organizar melhor suas ideias, fortalecer sua atuação ou encontrar caminhos para ampliar seu impacto. Diante dessa diversidade, o Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) se tornou uma ferramenta importante para transformar intenções em planejamento e planejamento em ação.

Mais do que um documento, o PDI foi construído como um instrumento vivo de reflexão, organização e acompanhamento. Através dele, cada liderança pôde olhar para sua iniciativa de forma estratégica, identificar prioridades, reconhecer desafios e definir metas capazes de orientar seu desenvolvimento ao longo da jornada.

 Assessoria Coletiva sobre Planejamento

Transformando Metas em Ação

Para apoiar esse processo, utilizamos a metodologia SMART na construção das metas, tornando-as específicas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e com prazo definido. Porém, tão importante quanto estabelecer metas foi desdobrá-las em pequenas etapas. Essas mini metas permitiram acompanhar avanços de forma mais concreta, possibilitando ajustes de rota quando necessário e valorizando cada conquista alcançada durante o percurso.

Ao longo dos encontros, percebi que o planejamento não era apenas uma ferramenta de gestão. Ele também se tornava um exercício de fortalecimento da autonomia. Quando as lideranças conseguem visualizar seus objetivos, acompanhar seus resultados e tomar decisões com mais segurança, fortalecem não apenas suas iniciativas, mas também sua habilidade de conduzir processos de transformação em seus territórios.

Uma das maiores riquezas dessa experiência foi perceber como os PDIs dialogam com outras oportunidades oferecidas pelo projeto. Em muitos momentos, as metas construídas pelas lideranças encontraram suporte em formações, mentorias, articulações em rede, intercâmbios e, especialmente, no Fundo Inova Quebrada.

Roda de Conversa com o Instituto Decodifica – Rio de Janeiro

Recursos que Fortalecem Sonhos

O Fundo Inova Quebrada teve papel fundamental na concretização de diversas ações planejadas ao longo da jornada. Em muitos casos, ele foi o elo entre aquilo que estava projetado no papel e sua efetiva realização.

Os recursos foram utilizados de diferentes formas, respeitando as necessidades e os objetivos de cada iniciativa. Algumas lideranças investiram na aquisição de equipamentos que contribuíram para qualificar suas atividades. Outras realizaram pequenas reformas e adequações em seus espaços de atuação, criando melhores condições para atender suas comunidades. Houve também investimentos na compra de materiais, de insumos e de itens destinados à realização de oficinas e à manutenção das atividades formativas, além do financiamento de ações comunitárias.

O fundo possibilitou ainda a ampliação de projetos que já aconteciam nos territórios e, em alguns casos, permitiu o surgimento de novas atividades. Além disso, algumas lideranças optaram por investir em sua própria qualificação profissional, participando de cursos e formações com o objetivo de fortalecer conhecimentos técnicos e ampliar suas capacidades de gestão, planejamento e execução.

Ao acompanhar esses processos, foi possível perceber que o acesso a recursos financeiros, quando articulado a um planejamento estratégico e a um acompanhamento contínuo, potencializa resultados e amplia as possibilidades de transformação social nos territórios.

O monitoramento da execução das Metas SMART, por meio das ações previstas nos Planos de Desenvolvimento Individual (PDIs), evidenciou que o financiamento, associado à assessoria técnica e ao desenvolvimento de capacidades, contribuiu para uma implementação mais consistente das iniciativas e para o fortalecimento da atuação das lideranças. Os resultados indicam que os recursos financeiros produziram maior efetividade quando integrados a processos permanentes de planejamento, monitoramento e aprendizagem, favorecendo não apenas a execução das atividades previstas, mas também o desenvolvimento de competências de gestão, a autonomia das lideranças e a sustentabilidade das iniciativas comunitárias ao longo do tempo.

Os registros de acompanhamento dos PDIs demonstraram avanços concretos ao longo do ciclo. Entre Outubro de 2025, quando foi realizado o primeiro acompanhamento das Metas SMART, e Maio de 2026, o número de ações concluídas pelas lideranças passou de 56 para 69, representando um aumento de aproximadamente 23% no total de ações executadas. No mesmo período, o percentual de execução das metas previstas evoluiu de 72,3% para 81,9%, evidenciando o avanço consistente das lideranças na implementação de seus planos de desenvolvimento.

Nesse período, parte das lideranças alcançou índices superiores a 90% de execução de seus planos e uma delas concluiu integralmente todas as metas previstas, o que possibilitou a definição de um novo objetivo estratégico. A criação dessa meta adicional evidencia que o PDI não se limitou ao cumprimento das metas iniciais, mas se se consolidou como uma ferramenta dinâmica de planejamento, o que ampliou o alcance e a sustentabilidade das iniciativas e favoreceu a evolução de algumas lideranças para além das metas originalmente previstas.

Apresentação do Fundo Inova Quebrada para as Lideranças

Aprender com outros territórios

Outro aspecto marcante da jornada foram os intercâmbios e visitas a diferentes ecossistemas de inovação, empreendedorismo e impacto social. Essas experiências proporcionaram às lideranças a oportunidade de conhecer outras iniciativas, metodologias e formas de atuação.

Mais do que observar o que estava sendo realizado em outros contextos, as lideranças puderam refletir sobre como adaptar esses aprendizados às realidades de seus próprios territórios. Muitas retornaram dessas vivências com novas ideias, ampliaram ações já existentes e identificaram novas possibilidades de atuação comunitária.

Nesse processo, o Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) desempenhou um papel estratégico ao transformar os aprendizados adquiridos durante os intercâmbios em objetivos concretos de desenvolvimento. Por meio da definição de Metas SMART e de ações específicas para cada liderança, o PDI permitiu incorporar novas competências, testar estratégias inspiradas nas experiências vivenciadas e acompanhar, de forma sistemática, a implementação dessas mudanças ao longo das assessorias individuais.

Esses momentos reforçam algo que se tornou evidente ao longo dos acompanhamentos: o fortalecimento das iniciativas acontece quando diferentes estratégias caminham juntas. Planejamento, investimento financeiro, formação, troca de experiências, acompanhamento técnico e monitoramento contínuo por meio dos Planos de Desenvolvimento Individual constituíram elementos complementares que potencializaram o desenvolvimento das lideranças e ampliaram a capacidade de transformação social em seus territórios.

Visita ao Ecossistema Grajaú

Saberes que Transformam

Ao longo desse processo, uma reflexão esteve sempre presente para mim: as lideranças não chegavam vazias de conhecimento. Pelo contrário, cada uma trazia consigo saberes construídos em suas vivências, em suas comunidades e em suas trajetórias de resistência, cuidado e mobilização social.

Nesse sentido, a experiência dialoga profundamente com o pensamento de Lélia Gonzalez, que nos convida a reconhecer e valorizar os conhecimentos produzidos pelas populações negras, periféricas e historicamente invisibilizadas. Em muitos momentos da jornada, ficou evidente que as respostas para diversos desafios já estavam presentes nas experiências acumuladas pelas próprias lideranças.

O papel da assessoria não foi oferecer respostas prontas, mas criar condições para que esses saberes fossem reconhecidos, fortalecidos e transformados em estratégias concretas de desenvolvimento. Mais do que orientar processos, tratou-se de construir caminhos coletivamente, respeitando os tempos, as experiências e as realidades de cada território.

Nessa perspectiva, o Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) constituiu uma ferramenta de valorização dos saberes das lideranças. Em vez de partir de déficits ou lacunas, o PDI foi elaborado a partir das potencialidades, dos objetivos e das experiências de cada participante, traduzindo esses conhecimentos em Metas SMART e ações concretas de desenvolvimento. O acompanhamento contínuo dessas ações possibilitou que os saberes construídos nos territórios fossem reconhecidos como base para a tomada de decisões, fortalecendo a autonomia das lideranças, qualificando suas iniciativas e contribuindo para que o desenvolvimento individual estivesse diretamente articulado à transformação coletiva de seus territórios.

Roda de Diálogos durante o Fórum Inova Quebrada – Salvador

Caminhar junto também é Aprender

Ao nos aproximarmos do encerramento dos acompanhamentos, previsto para Agosto de 2026, percebo que os resultados dessa jornada vão muito além das metas alcançadas, dos equipamentos adquiridos, das oficinas realizadas ou dos recursos investidos. O que fica são lideranças mais fortalecidas, iniciativas mais estruturadas e territórios que seguem produzindo soluções, mobilizando pessoas e gerando transformação social.

Ao longo desse percurso, aprendi que assessorar não é apontar caminhos prontos, mas caminhar junto, escutar, provocar reflexões e criar condições para que cada liderança reconheça sua própria potência. O PDI foi uma importante ferramenta nesse processo porque permitiu transformar sonhos em planejamento, ação e impacto.

Mais do que apoiar iniciativas, o Inova Quebrada contribuiu para fortalecer pessoas, ampliar repertórios e reafirmar que a inovação também nasce nas periferias, nos coletivos, nas organizações comunitárias e nas lideranças que diariamente constroem alternativas para seus territórios.

Se existe um aprendizado que levo dessa experiência, é a certeza de que transformar realidades passa, necessariamente, por reconhecer a potência de quem as vive. Como nos inspira Lélia Gonzalez, valorizar os saberes produzidos nos territórios é também reconhecer a habilidade que as comunidades têm de construir seus próprios caminhos de desenvolvimento, autonomia e transformação.

Ao longo dessa experiência, compreendi que o Plano de Desenvolvimento Individual não foi apenas um instrumento de planejamento ou monitoramento. Tornou-se uma metodologia capaz de articular escuta, definição de metas, acompanhamento, formação e acesso a recursos em um mesmo processo de desenvolvimento. Mais do que registrar objetivos, o PDI contribuiu para transformar conhecimentos acumulados nos territórios em ações concretas, fortalecendo a autonomia das lideranças e ampliando sua capacidade de produzir mudanças sustentáveis em suas comunidades.

Formação durante a Visita a Agência Mural – São Paulo

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