O papel da prestação de contas enquanto um processo de aprendizagem

Da avaliação à melhoria contínua: lições da responsabilização no InovaQuebrada

Todo projeto financiado precisa, obrigatoriamente, passar pelo procedimento de prestação de contas. Como este processo deve ser observado para que se torne uma ferramenta pedagógica que impulsiona lideranças periféricas?

É importante contextualizar que, para falarmos sobre o processo de prestação de contas, é necessário apresentar o Fundo InovaQuebrada, fundo este que nasce como estratégia de fortalecimento focado no desenvolvimento individual / organizacional dos participantes do Programa Inova Quebrada. Cada liderança recebeu um valor mediante produção e aprovação de um plano de fortalecimento, plano este que incluía escrita de um projeto, descritivo do orçamento em formato de rubricas orçamentárias, cronograma de execução e propostas de indicadores de impacto social. Eu, Nara Leme, Gestora de Projetos do Inova Quebrada, quero propor uma reflexão.

A prestação de contas enquanto ferramenta pedagógica para lideranças que possuem pouca experiência ou nenhuma com o processo, deve, preferencialmente, ser orientada por dois eixos estruturantes: a) compreensão de que a prestação de contas é uma competência e b) Deve-se buscar a autonomia e não dependência. A seguir, tecerei alguns comentários sobre essas duas perspectivas:

A) Prestação de contas enquanto Competência:
Para o autor PERRENOUD, Philippe (1999), a competência é “a capacidade de agir eficazmente em um determinado tipo de situação, apoiada em conhecimentos”. Em termos práticos, são necessárias várias habilidades para que se construa uma competência. Para o caso de uma prestação de contas, é esperado que as lideranças dominem pelo menos duas das três habilidades a seguir: habilidade de organizar e armazenar documentos, habilidades digitais e habilidade em leitura e interpretação. Quando duas dessas habilidades estão em domínio, a outra é desenvolvida ao longo do processo.

B) Prestação de Contas: Autonomia vs Dependência:
Foi percebido ao longo do processo de prestação de contas do Fundo Inova Quebrada, um aumento de 476% de solicitações de assessoria extra, isso comparado com o mês anterior, onde não havia uma prestação de contas a ser realizada. De 100% dos chamados para assessoria extra, 74% foi para tratar única e exclusivamente sobre o tema abordado aqui.
Este dado deve ser analisado com muita atenção: as lideranças estão passando por um processo de assessoria ou reconduzindo suas ações a um terceiro? Processos que demonstram autonomia, terão dúvidas cada vez mais específicas, demonstrando um nível de aprofundamento que necessita muito mais de uma validação da pessoa que tem o papel de construir a habilidade, do que apresentando uma execução guiada.

Para reconhecer a recondução de tarefas, atentar aos seguintes pontos: se as dúvidas são muito básicas ou demonstram que não houve uma primeira tentativa ou busca pelos materiais de consultas distribuídos, a recondução da tarefa pode vir encoberta pelo “mostra exatamente como devo fazer” e este é o processo que deve ser interrompido imediatamente, sempre reforçando para a liderança que não há problema solicitar assessoria, é preciso demonstrar que está em curso um processo de enfraquecimento de habilidades que se tornarão competências.

Como garantir, então, a efetivação do processo de prestação de contas em ferramenta pedagógica de aprendizagem?
  • Consciência durante o processo:
    Recomenda-se que seja feita uma abordagem que traga a dúvida da liderança para o consciente. Em um exemplo fictício, se uma liderança traz recorrentes questionamentos sobre como acessar documentos online, como fazer download / upload ou transformar documentos em PDF, para além da resolução em si, deve ser apontado para essa liderança que existe uma lacuna que deve ser observada e trabalhada e aí, construir o questionamento: neste momento investir em habilidades tecnológicas trariam melhorias para a organização?
  • Ambiente seguro para o erro:
    Não há espaço de crescimento em um ambiente que procura culpados ou erros, assim como há poucos ganhos com a procura sistemática pela solução rápida. Se o foco é o desenvolvimento, há uma zona de convergência entre o errar e solucionar que gera um ambiente saudável para se desenvolver, este ambiente é o ambiente bem construído para o erro. Um ambiente bem construído para o erro deve ser aberto o suficiente para que o criativo exista e fechado o suficiente para que a ética, conformidade financeira e legislação sejam a base do criar e do executar. O que nos leva para um último ponto:
  • Feedback é diferente de julgamento:
    É necessário que cada liderança receba um feedback propositivo. Julgamento moral ou intelectual destrói a autoestima da liderança, principalmente em contextos periféricos e isso é prejudicial para o processo de aprendizagem. O feedback, neste sentido, precisa estar diretamente ligado ao processo consciente da ação, ponto que foi abordado anteriormente. Se este processo foi realizado de forma consciente, é bem possível que a própria liderança já saiba quais foram seus pontos de fragilidade, neste sentido, o feedback não reafirma essa fragilidade mas, sim, ajuda a encontrar um conjunto de possibilidades de fortalecimento que converterão as habilidades em competências de execução autônoma.

Referência Bibliográfica:
PERRENOUD, Philippe. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre: Artmed, 1999.

*Este artigo utilizou ferramentas de inteligência artificial exclusivamente para correção ortográfica e adequação para as normas ABNT, sem alteração de conteúdo.

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