Reflexões de um educador de tecnologia

Trabalho com aulas desde 2013, sempre em organizações sociais. Nesse tempo, já atuei com adultos, idosos e pessoas com diferentes dificuldades. A tecnologia sempre fez parte da minha forma de ensinar. Mais do que usar computadores, sempre tentei utilizá-la como uma forma de aproximar as pessoas, criar conexões e tornar as aulas mais significativas.

Em abril de 2026, iniciei meu trabalho na Casa Hacker. Entrei sem saber exatamente como seria o projeto, quais eram as expectativas em relação ao meu trabalho ou como aconteceria a construção das propostas pedagógicas. Sabia apenas que era algo ligado à tecnologia. Foi no dia a dia que comecei a entender melhor a concepção dos HackerClubes, o que era a Casa Hacker e, principalmente, o quanto a inclusão faz parte de tudo isso.

O HackerClubes leva tecnologia para dentro das escolas públicas de uma forma mais próxima dos alunos. Não se trata apenas de ensinar informática ou programação. A proposta é mostrar que a tecnologia também pode ser divertida, criativa e fazer parte da vida deles de maneira mais acessível e significativa.

As primeiras aulas

No começo, uma das coisas mais importantes foi conhecer a escola e os alunos. Cada turma tem um jeito próprio, então, antes de qualquer coisa, tentei observar mais e entender como me aproximar deles.

As primeiras aulas seguiram muito essa ideia de aproximação. Procurei criar um ambiente mais leve, menos parecido com a lógica tradicional da sala de aula. Aos poucos, os alunos começaram a participar mais, fazer perguntas e demonstrar mais curiosidade pelas atividades.

Temos, por exemplo, uma turma com alunos mais velhos, bastante curiosos e questionadores. Já em outra, os alunos são mais novos, tímidos e muito acostumados ao ritmo escolar mais tradicional. E aí surge o desafio: como construir uma aula que envolva tecnologia e, ao mesmo tempo, consiga dialogar com o que cada turma precisa?

Por isso, as aulas têm sido cada vez mais voltadas para a realidade deles, para suas experiências e demandas. Mais do que ensinar ferramentas, o objetivo é entender como a tecnologia pode aproximar educador e alunos.

Um educador social dentro do contexto escolar

Dar aula dentro de uma escola pública é uma experiência muito particular. Existe uma rotina própria da escola, com seus tempos, relações, combinados e formas de organização. Sendo um projeto externo, também precisamos aprender a funcionar dentro desse espaço, respeitando nossa proposta, mas também os valores e a dinâmica da escola.

No começo, precisei entender melhor o ritmo das turmas e adaptar as aulas para que elas não fossem tão diferentes do que os alunos estavam acostumados a vivenciar. Aos poucos, fui encontrando maneiras de aproximar as atividades da realidade deles. Em uma das aulas, por exemplo, ao invés de começar diretamente com conceitos de programação, trabalhamos primeiro com referências do cotidiano dos próprios alunos, além disso, conversamos sobre a função e uso da tecnologia. Isso ajudou muito na participação e no envolvimento da turma.

Uma coisa que percebi rapidamente é que, quando os alunos se sentem mais à vontade, tudo muda. Aquilo que parecia difícil começa a ficar mais simples. A tecnologia deixa de parecer algo distante e passa a ser vista como algo possível, acessível e que eles também conseguem usar e compreender.

Ao mesmo tempo, cada turma funciona de um jeito diferente. Por isso, toda aula acaba sendo uma experiência nova. Isso faz com que a gente repense práticas, adapte caminhos e reveja ideias durante o processo, e acredito que essa troca seja uma das partes mais ricas do trabalho.

Reflexões de um educador

Mesmo estando há pouco tempo na Casa Hacker, já sinto que tenho aprendido muito dentro desse projeto. Cada aula traz uma experiência nova, tanto para os alunos quanto para mim.

Ter um HackerClubes dentro das escolas é uma ação muito importante, porque não estamos apenas ensinando tecnologia. Estamos mostrando aos alunos que eles conseguem aprender, criar coisas novas e perceber que a tecnologia também pode abrir caminhos, possibilidades e perspectivas para o futuro.

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