A trajetória do Projeto SENEB Território Campo Grande com apoio do Fundo da Quebrada 

Conheça o projeto SENEB, apoiado pelo Fundo da Quebrada

O Projeto Seneb Território Campo Grande nasceu da proposta de oferecer aulas de Kemetic Yoga para povos pretos, indígenas, mestiços pretos e mestiços indígenas das periferias de Campinas, articulando autocuidado, ancestralidade e vínculo com o território. Com apoio do Fundo da Quebrada, a iniciativa foi estruturada para acontecer em formato presencial e online, tendo como horizonte fortalecer práticas de prevenção em saúde e ampliar o acesso a ferramentas de cuidado em uma região onde esse tipo de oferta ainda é pouco descentralizado. 

Uma proposta de cuidado enraizada no território 

A base do projeto está no entendimento de que o cuidado em saúde precisa chegar também às margens, e não permanecer concentrado apenas nas regiões centrais da cidade. Na proposta apresentada ao edital, a Kemetic Yoga aparece como uma prática ancestral africana de autocuidado, auto observação e autoconsciência, com aplicação adaptável a diferentes corpos e histórias. As aulas presenciais foram pensadas também como estratégia de fortalecimento do vínculo com o Campo Grande, em especial com a Casa de Cultura Itajaí, espaço parceiro da iniciativa. 

Essa proposta dialoga com um contexto mais amplo de saúde pública. A inscrição do projeto relaciona o aumento de atendimentos registrados no eSUS em Campinas entre 2021 e 2024 a condições recorrentes associadas ao sedentarismo, ao estresse crônico, à má qualidade do sono, à baixa prevenção e a outros fatores que afetam de forma intensa as populações periféricas. Nesse cenário, o Seneb foi concebido como uma resposta de prevenção e promoção de bem estar, com foco no fortalecimento da autonomia individual e coletiva a partir da prática regular. 

Prática do Projeto Seneb Território Campo Grande em atividade presencial no território.

Da proposta à execução possível 

O desenho inicial previa 10 encontros presenciais e 8 encontros online, organizados em duas turmas, com expectativa de atender até 20 beneficiários diretos. Na prática, a execução precisou ser ajustada à realidade encontrada. Foram realizadas 3 datas de aulas presenciais e 5 datas de aulas online. O projeto recebeu 9 inscrições, todas de mulheres pretas, e 5 delas efetivamente participaram das atividades. Ao todo, foram registradas 13 presenças nas aulas, o que corresponde a uma média de 2,6 práticas guiadas por pessoa. 

Embora a execução tenha sido parcial em relação ao plano original, o percurso realizado oferece um dado importante para leitura do caso. O projeto conseguiu validar a potência da proposta mesmo diante de uma adesão menor do que a prevista. Isso permite compreender que, em iniciativas de cuidado territorial, o impacto não depende apenas da escala numérica, mas também da consistência metodológica, da aderência ao contexto local e da capacidade de escuta sobre os limites concretos da vida cotidiana das participantes. 

Resultados percebidos pelas participantes 

Os resultados registrados ao final do processo indicam efeitos relevantes na experiência das praticantes. Aproximadamente 90% dos diagnósticos e sintomas de desconforto apontados no formulário inicial tiveram melhorias sentidas ao final do projeto. O relatório também registra que todas as pessoas que participaram das práticas relataram ao menos 50% de melhora em relação aos sintomas e diagnósticos mencionados no início, com uma média geral de 74% de melhoria entre as participantes. 

Outro dado expressivo é que 100% das participantes relataram melhoras em questões relacionadas ao corpo físico, à mente e às emoções, e também à sua performance. Como se trata de um projeto orientado por formulários comparativos de entrada e saída, esses resultados reforçam a proposta original da iniciativa de evidenciar, ainda que em escala inicial, os efeitos da prática regular da Kemetic Yoga sobre a percepção de saúde e bem estar. 

Registro em vídeo da atividade 

O vídeo registra uma das aulas presenciais realizadas pelo projeto e mostra, na prática, parte do trabalho desenvolvido com as participantes no território. As imagens apresentam alguns exercícios e movimentos conduzidos durante o encontro, ajudando a visualizar como a metodologia da Kemetic Yoga foi aplicada presencialmente e como essa proposta de cuidado se materializou no cotidiano da iniciativa.

Compartilhamento nas redes

O material publicado nas redes teve como função principal convidar moradoras e participantes do território para conhecer e participar das aulas do projeto. Mais do que divulgar a iniciativa de forma ampla, essa comunicação foi pensada como uma chamada direta para o público do Campo Grande, fortalecendo a mobilização local e aproximando a proposta de autocuidado das pessoas que poderiam vivenciar essa experiência na prática.

Perspectivas para as próximas atividades

As possibilidades de continuidade mostram que a experiência não se encerra neste ciclo. Para viabilizar a permanência do projeto no território, a proposta é estruturar uma turma regular presencial na Casa de Cultura Itajaí, com no mínimo 10 alunos, além da manutenção da oferta de aulas online em horários já definidos. Mais do que apontar para uma continuidade operacional, esse caminho indica que o Seneb deixou uma base concreta para o fortalecimento de uma prática regular de autocuidado no Campo Grande.

No caso do Projeto Seneb Território Campo Grande, o Fundo da Quebrada foi importante porque permitiu transformar uma proposta de cuidado em uma experiência real, ainda que em escala inicial, com resultados percebidos pelas participantes, fortalecimento de presença territorial e avanço na construção de uma metodologia própria. O projeto mostra que iniciativas pequenas, quando ancoradas no território e conduzidas com intencionalidade, podem abrir caminhos relevantes para a promoção de saúde, autonomia e bem estar nas periferias.

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