O gasto público por aluno no Brasil, da educação primária à superior, é de US$ 3.762 por ano — cerca de um terço da média dos países da OCDE. No ensino superior a distância é ainda maior: US$ 3.765 por estudante contra US$ 15.102 na média da OCDE.
por que isto precisa existir.
Os dados abaixo mostram o tamanho da desigualdade tecnológica e educacional que a Casa Hacker existe para ajudar a reduzir — e também a oportunidade: há emprego, há talento e há dinheiro no sistema. O que falta é chegar aos territórios.
9 indicadores · fontes primárias · conferidos em 27/08/2026
O déficit começa na escola pública — em dinheiro e em resultado.
No PISA 2022, 55% dos estudantes brasileiros de 15 anos ficaram abaixo do nível básico de proficiência em ciências (na média da OCDE, 24%). Apenas 1% alcançou os níveis de excelência. Em matemática o quadro é ainda pior: 73% abaixo do básico.
Apenas 49% das escolas públicas de ensino fundamental do Brasil oferecem internet para uso dos alunos, e menos da metade tem computador de mesa para eles — nas redes municipais, os índices caem para 40,8% e 43%. A escola tem internet administrativa (88,1%), mas ela não chega à mão do estudante. É essa lacuna que espaços comunitários de tecnologia preenchem.
Ter internet não é ter poder sobre a tecnologia.
Apenas 29,9% da população brasileira domina habilidades digitais básicas, como copiar arquivos e enviar e-mails com anexos. Habilidades intermediárias são dominadas por 17,9%; as avançadas, como programação, por apenas 4,2%. Entre 14 países comparados, o Brasil é o 12º.
Nas classes D e E, 87% de quem usa internet acessa a rede exclusivamente pelo celular — na classe A, são 5%. Quem depende só do telefone consome conteúdo, mas raramente estuda, trabalha ou produz tecnologia com ele.
A exclusão tem endereço — e é nele que a casa trabalha.
O Censo 2022 identificou 16,4 milhões de pessoas morando em 12.348 favelas e comunidades urbanas, em 656 municípios — 8,1% da população do país, ante 6% em 2010. É nesses territórios que a exclusão digital e educacional se concentra, e é neles que a Casa Hacker atua.
A porta de entrada da tecnologia segue estreita para elas.
Nas 127 mil matrículas de Ciência da Computação do país, mulheres são apenas 15% — e 19,5% em Sistemas de Informação. Enquanto isso, elas são maioria em 14 dos 20 maiores cursos de graduação. A tecnologia segue sendo o território mais fechado a elas.
Há emprego digno em tecnologia; falta quem chegue até ele.
O setor de tecnologia demandou 797 mil profissionais entre 2021 e 2025, mas o país forma cerca de 53 mil pessoas por ano em cursos de perfil tecnológico — um déficit anual de 106 mil talentos. Medição posterior da própria Brasscom confirmou demanda 30% acima da oferta de formados entre 2019 e 2024.
Há dinheiro no sistema — ele raramente chega na ponta.
O investimento social privado brasileiro chegou a R$ 5,8 bilhões em 2024 — mas só R$ 1,3 bilhão (cerca de 22%) foi repassado a organizações da sociedade civil; o restante é executado pelas próprias fundações e institutos. E o que é doado tende a ir para organizações já grandes e maduras: o recurso raramente chega às organizações de base dos territórios.
resultado próprio, medido e publicado.
Os números acima são o cenário, apurado em fontes de terceiros. Os abaixo são outra coisa: resultado do trabalho da própria Casa Hacker, medido por nós e publicado no relatórioNosso Impacto 2022–2025.
apurado em 2026-08-27 · transparência →