No Brasil, 12,4 milhões de pessoas vivem em extrema pobreza e 8,1 milhões estão desempregadas. Nas periferias, quem empreende para resolver os problemas do próprio território o faz, quase sempre, sem acesso a crédito, formação, espaço de trabalho ou rede — as mesmas barreiras de sempre, agora reproduzidas no ecossistema de impacto.
A periferia é tech, é pop, é inovação. Mesmo quando as portas não aparecem, as quebradas seguem inventando caminhos — criam redes comunitárias, criam negócio de impacto com o que têm em casa, ensinam ao território o que aprenderam. Como diz o nosso manifesto, a virada não vem de fora: vem da própria periferia quando tem acesso a oportunidade, ferramentas, conexões e respeito. Toda liderança de impacto é um agente de transformação que deve ser apoiado e incentivado — e é exatamente isso que fazemos, de 2022 até hoje, com o PerifaImpacto, o Inova Quebrada e o hub Quebrada em Movimento: jornadas que desenvolvem habilidades empreendedoras e de produção cultural, com bolsa, capital semente, espaço físico, assessoria e a rede necessária para que as soluções criadas pelos territórios cheguem aos espaços de decisão.
dinheiro na mão de quem faz.
Reequilibrar o poder começa por onde o poder de fato circula: o recurso. De 2022 a 2026, a Casa Hacker repassou R$ 1,78 milhão diretamente às iniciativas e às pessoas — bolsas e investimentos em projetos efetivamente pagos e apurados na contabilidade. Não é verba de projeto que passa perto da periferia: é dinheiro que muda de mãos.
Os fundos são o instrumento: o Fundo da Quebrada apoia, com recurso e formação, projetos de impacto liderados por moradores do distrito do Campo Grande, em Campinas; e o Fundo de Cidadania Ativa — realizado com o Grupo Primavera e a Ozipa Criativa, com apoio da Fundação FEAC — destinou no Edital 01/2026 um total de R$ 225 mil a 30 iniciativas comunitárias dos territórios dos hubs Conexão Quilombo Amarais, Quebrada em Movimento e Ozipa Criativa. Quem avalia, seleciona e presta contas também é do território: o edital existe para ampliar o acesso de lideranças, coletivos e organizações da sociedade civil a recursos que raramente chegam à base.
o hub é do território.
O Quebrada em Movimento nasceu em 2020, em plena pandemia, em parceria com a Fundação FEAC — e desde 2023 mantém espaço de coworking aberto e gratuito no Distrito Campo Grande, para uso sem fins lucrativos. É ali que acontecem as trilhas formativas, o Quebrada Talks, as oficinas de hardware, as assessorias — e as psicoterapias coletivas, porque sustentar um corre de impacto sem cuidar da saúde mental é receita de esgotamento, e a liderança periférica não é descartável.
As histórias de quem passou pelos programas viraram a websérie “No Corre com a Wal” (2023) — empreendedoras e empreendedores contando, na própria voz, como transformaram seus territórios. A curva acompanha: de 10 pessoas impactadas em 2022 para 78 em 2025, com a escala do PerifaImpacto para São Paulo a partir de 2025.
a quebrada ocupa o ecossistema.
Desde 2023 integramos a Coalizão pelo Impacto e realizamos o PerifaImpacto Negócios de Impacto com o ICE — Instituto de Cidadania Empresarial; em 2025, levamos lideranças periféricas à Expo Favela Innovation, porque presença em espaço de ecossistema não é vitrine: é acesso a rede, capital e oportunidade que historicamente circulam longe da base. O nosso compromisso, como diz o manifesto, é seguir deslocando o centro — tirar a periferia do rodapé da conversa e colocá-la como autora principal das respostas para os desafios do nosso tempo.
E o que aprendemos acompanhando as lideranças — dos 12 meses de formação aos PDIs, da gestão ágil à experiência do beneficiário — está documentado e publicado: a inovação social é a área com mais aprendizados da nossa biblioteca, porque tecnologia social que não se compartilha vira segredo, e segredo não transforma território.