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// área de atuação

educação steam.

Ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática nas mãos das juventudes periféricas — de espaço comunitário a laboratório de inovação, com tecnologias sociais documentadas e prontas para escala.

O Brasil investe US$ 2.525 por aluno em educação e US$ 1.290 por habitante em ciência e tecnologia — os menores valores entre 15 países comparáveis, segundo a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Ao mesmo tempo, o setor privado projeta R$ 510,5 bilhões em tecnologias como nuvem e IA, demandando 570 mil profissionais qualificados com salários 2,6 vezes acima da média. O resultado do desinvestimento aparece na sala de aula: no PISA 2022, 55% dos estudantes brasileiros de 15 anos ficaram abaixo do nível básico de proficiência em ciências — em matemática, 73%.

Leia esses números com atenção: nenhum deles mede falta de talento. Medem falta de investimento — laboratório que não chegou, professor sem formação, carreira que ninguém apresentou. Como diz o nosso manifesto, as periferias não são um lugar de espera, são um lugar de começo: de ideias, de tecnologias, de jeitos novos de viver e decidir o futuro da própria história. A genialidade já mora na quebrada — quem transforma pouco recurso em muita criatividade faz engenharia todos os dias, só que sem o nome, o equipamento e o diploma. Nosso trabalho é fazer as portas se abrirem do lado de dentro.

modelos que forjamos, erramos e acertamos.

Desde 2021 evoluímos a forma de fazer educação STEAM com os territórios, escolas e organizações parceiras. O Hackerclubes e o Minas em Tech são os modelos reais que forjamos, aprimoramos, erramos e acertamos: jornadas práticas e criativas que desenvolvem habilidades STEAM, fortalecem identidades e protagonismos juvenis periféricos, e conectam os saberes dos territórios com tecnologias emergentes — porque o ponto de partida nunca é o déficit, é o repertório que as juventudes já trazem.

O Hackerclubes nasceu em espaços comunitários e chegou a 3 territórios em 2021 com patrocínio do Instituto Robert Bosch; hoje é uma rede de mais de 125 jovens em 6 cidades, com 50% das vagas para diversidade e inclusão, 7 meses de mão na massa por turma — e desde 2025 escala para São Paulo e Rio de Janeiro. O Minas em Tech, lançado em 2022 em Sumaré com patrocínio da PPG Brasil, reservou a totalidade das vagas de 2022 a 2024 para meninas e mulheres, com trilha de 150 horas.

Nos desafios de inovação, quem projeta são elas e eles: vila sustentável em que os moradores trocam recicláveis por alimento da horta, casa-modelo com trava por tag, sensor de som e piscina de energia solar, carrinho-robô de monitoramento de queimadas. Nenhum desses MVPs veio de apostila — vieram dos problemas e dos sonhos que as próprias turmas trouxeram dos seus territórios, prototipados com impressora 3D, eletrônica e programação.

A infraestrutura acompanha a ambição: montamos impressoras 3D, óculos de realidade virtual, kits de eletrônica e sensores nos territórios — como o laboratório STEAM do Jardim Campo Belo, criado em 2023 com o Instituto ProDica e a Amazon — e levamos as turmas aonde a ciência acontece: o Sirius, no CNPEM, o Observatório Municipal de Campinas Jean Nicolini e a Conferência Brasileira de Aprendizagem Criativa. Não como visita de excursão, mas como recado: esses lugares também são de vocês. A curva conta o resto: de 20 pessoas impactadas em 2022 para 125 em 2025.

meninas e mulheres no centro.

A equidade de gênero na tecnologia não é um recorte do programa — é o programa. Em dezembro de 2025, o Minas em Tech levou a pauta da educação STEAM para meninas à TV aberta, no programa Mulher.com, sensibilizando educadores, famílias e gestão pública. Em cooperação técnica com o British Council, nossas profissionais participaram do programa Mulheres em Tech — e a Casa Hacker foi uma das instituições selecionadas para replicar a metodologia, formando novas gerações de mulheres líderes no setor.

E a mesma agenda que praticamos na sala de aula, defendemos na lei: a experiência do Minas em Tech alimenta a incidência da Coalizão pela Genialidade Feminina no PL 840/2021, que estimula a participação feminina nas carreiras de ciência e tecnologia — a história completa está na página de Incidência Política. Genialidade feminina periférica não é promessa: é patrimônio que o país ainda não aprendeu a reconhecer.

o que aprendemos, documentamos.

Cada edição vira tecnologia social testada e documentada — currículos, kits e aprendizados publicados na nossa biblioteca — porque o objetivo nunca foi dar aula para sempre: é que uma rede ampla de parceiros replique os modelos, com a mesma qualidade, onde a gente ainda não chega. O futuro já está sendo escrito em cada aula de laboratório hacker, em cada jovem que descobre que pode programar — nosso papel é garantir que ele saia do possível e vire cotidiano.

Acreditamos que as juventudes periféricas, quando encontram espaço, equipamento e referência, não "aprendem tecnologia" — fabricam o futuro dos próprios territórios com ciência, criatividade e arte. A barreira nunca foi talento; é ausência de oportunidade.

// no que acreditamos
// como atuamos

da teoria à prática.

  1. Criamos espaços de tecnologia, artes e inovação nos territórios com apoio de parceiros regionais — makerspaces, laboratórios de eletrônica e oficinas comunitárias.

  2. Ofertamos trilhas formativas STEAM de ~100h a 350h anuais, em 2–3 aulas semanais — programação de sistemas, eletrônica, impressão e modelagem 3D, realidade virtual e inteligência artificial.

  3. Promovemos desafios de inovação em que as juventudes prototipam MVPs de base tecnológica alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável — soluções que nascem do território e voltam para ele.

  4. Garantimos vagas para quem o sistema deixa de fora — 50% das vagas dos Hackerclubes para diversidade e inclusão e, no Minas em Tech, a totalidade das vagas para meninas e mulheres de 2022 a 2024.

  5. Levamos as turmas a espaços de ciência e tecnologia — do Sirius no CNPEM ao Observatório Municipal de Campinas e à Conferência Brasileira de Aprendizagem Criativa.

  6. Transformamos as iniciativas em tecnologias sociais testadas e documentadas, prontas para replicabilidade e escala por uma rede ampla de parceiros.

// quem faz isso acontecer

as iniciativas da área.

// o que aprendemos fazendo

aprendizados da área.

ver a biblioteca →
reflexao

Mobilização e a importância do ensino STEAM localizado

Este texto busca discutir sobre a importância de localizarmos o desenvolvimento das atividades e discutir como as mobilizações, atividades de chamamento para inscrição nos Hackerclubes, são mais do que uma forma de promover o projeto e acabam por oferecer aos jovens um espaço de primeiro contato com

reflexao

Reflexões de um educador de tecnologia

Trabalho com aulas desde 2013, sempre em organizações sociais. Nesse tempo, já atuei com adultos, idosos e pessoas com diferentes dificuldades. A tecnologia sempre fez parte da minha forma de ensinar. Mais do que usar computadores, sempre tentei utilizá-la como uma forma de aproximar as pessoas, criar conexões e tornar as aulas mais significativas.