No dia 3 de julho de 2026, a Casa Hacker participou, pela terceira vez, da formação da Escola de Conselhos da Unicamp, conduzindo um encontro sobre Segurança Digital para Crianças e Adolescentes.
A atividade integrou o curso de formação continuada organizado pelo Núcleo de Estudos de Políticas Públicas (NEPP), uma iniciativa do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania voltada à formação de conselheiros municipais, especialmente conselheiros tutelares que atuam no Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente. Os encontros acontecem na Faculdade de Economia da Unicamp e reúnem participantes de diferentes cidades do estado de São Paulo.
Durante a formação, conversamos sobre privacidade, segurança digital, desinformação e bem-estar digital. A discussão partiu das experiências da Casa Hacker em projetos desenvolvidos com crianças e adolescentes e de parcerias com organizações como a Tactical Tech.

Participantes da Escola de Conselhos – Unicampa/ SP
Um dos pontos da formação foi a discussão sobre cultura digital a partir das ideias de Vani Moreira Kenski (2018; 2012). Conversamos sobre como as tecnologias digitais vêm transformando os modos de viver, de aprender, de estabelecer relações e de participar da sociedade. Olhar para a segurança digital a partir dessa perspectiva nos permite compreender que proteger crianças e adolescentes não significa apenas orientar sobre o uso da internet, mas entender que grande parte de suas experiências acontece nesse ambiente. Ao reconhecer que as tecnologias fazem parte da forma como vivemos e nos relacionamos, também entendemos que elas produzem oportunidades, mas podem ampliar desigualdades, conflitos e novas formas de violência. Por isso, discutir segurança digital também é discutir direitos, participação e cuidado. Essa reflexão foi importante para pensarmos o papel dos conselheiros tutelares diante de situações que, cada vez mais, atravessam o cotidiano de crianças, adolescentes e suas famílias.
Ao longo do encontro também apresentamos pesquisas recentes sobre segurança digital, discutimos autores que investigam os impactos das tecnologias na sociedade e compartilhamos situações vivenciadas nos projetos da Casa Hacker. Mais do que apresentar conceitos, buscamos discutir estratégias que pudessem apoiar os participantes na orientação de crianças, adolescentes e famílias diante de desafios que já fazem parte do dia a dia.
Reflexões entre Casa Hacker, Universidade e Conselho Tutelar
Um dos aspectos mais marcantes da formação foi a participação do grupo. As discussões foram construídas a partir das experiências dos próprios conselheiros tutelares, que compartilharam dúvidas, casos e situações vividas em seus municípios. Esses relatos mostraram que questões relacionadas ao ambiente digital já fazem parte da rotina desses profissionais e reforçaram a importância de criar espaços de formação sobre o tema.
Para a Casa Hacker, participar novamente da Escola de Conselhos reforça a importância de ampliar o diálogo sobre cultura e segurança digital com profissionais que atuam diretamente na garantia de direitos de crianças e adolescentes. Cada encontro amplia essa rede e fortalece a circulação de informações que podem contribuir para o acolhimento, a orientação das famílias e a proteção de crianças e jovens.

Educador e crianças em atividades formativas da Casa Hacker
Como formadora, saio desse encontro com a percepção de que falar sobre segurança digital é, antes de tudo, ouvir quem está nos territórios. As experiências compartilhadas pelos participantes mostraram que muitas das situações discutidas já chegam diariamente aos conselhos tutelares e exigem respostas que passam pelo diálogo, pela escuta e pela compreensão da cultura digital em que crianças e adolescentes estão inseridos. Também reforçaram a importância da aproximação entre universidade, organizações da sociedade civil e profissionais que atuam diretamente com a população. Em um momento em que as transformações tecnológicas acontecem de forma cada vez mais acelerada, criar espaços de escuta e reflexão conjunta é essencial para que possamos compreender esses desafios e construir respostas que façam sentido para a realidade de crianças, adolescentes e suas famílias.
Referências
KENSKI, Vani Moreira. Cultura Digital. In: MILL, Daniel (Org.). Dicionário Crítico de Educação e Tecnologias e de Educação a Distância. Campinas: Papirus, 2018.
KENSKI, Vani Moreira. Educação e Tecnologias: o novo ritmo da informação. 8. ed. Campinas: Papirus, 2012.