Alguém está monitorando meu celular? Como saber e agir com segurança
Sinais de que alguém vigia seu celular, suas contas ou sua localização, como verificar no Android e no iPhone e como pedir ajuda sem se colocar em risco.
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Sua segurança vem primeiro
- Perigo agora: ligue 190, a Polícia Militar.
- Orientação: ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher. A ligação é gratuita e funciona 24 horas, todos os dias. Também atende pelo WhatsApp (61) 9610-0180 e pelo e-mail central180@mulheres.gov.br.
- Use outro aparelho para pesquisar e pedir ajuda. Um celular vigiado pode mostrar a quem vigia o que você procura.
- Não remova nada ainda. Tirar um aplicativo espião, ou trocar todas as senhas de uma vez, pode avisar quem está vigiando. Numa relação abusiva, isso pode aumentar o risco. Faça um plano antes — de preferência com apoio.
Acontece mais do que se imagina
Pode acontecer com qualquer pessoa — e acontece muito mais com mulheres, quase sempre por parceiro ou ex-parceiro. Vigiar alguém assim não é cuidado nem ciúme: é violência, e é crime.
Os sinais
Algumas pistas de que alguém tem acesso ao que é seu:
- A pessoa sabe de conversas, lugares ou fotos que você não contou.
- Ela aparece onde você está sem ter sido avisada.
- O celular esquenta, a bateria acaba rápido ou o consumo de dados sobe sem motivo.
- Surgem aplicativos que você não instalou, ou configurações que você não mudou.
Nenhum desses sinais prova nada sozinho. E o mais comum nem é aplicativo espião: é a pessoa ter a senha de uma conta sua, ou um compartilhamento de localização que ficou ligado.
Confira primeiro o que não é aplicativo
Contas e aparelhos conectados
- WhatsApp: Configurações › Aparelhos conectados — no iPhone, Dispositivos conectados. Um computador desconhecido aqui lê todas as suas conversas.
- Conta Google: em myaccount.google.com/device-activity aparecem todos os aparelhos com acesso à sua conta.
- Apple: Ajustes › toque no seu nome. A lista de aparelhos fica no fim da tela.
- Instagram e Facebook: Central de Contas › Senha e segurança › Onde você está conectado.
Localização compartilhada
- Google Maps: toque na sua foto › Compartilhamento de localização.
- iPhone: no app Buscar, aba Pessoas. Se você parar de compartilhar aqui, a pessoa não é notificada — some da lista dela, sem aviso.
- Aplicativos de família e de rastreamento, como os de “localizar família”: veja se algum está instalado e ligado.
Rastreador escondido
Rastreadores pequenos, como o AirTag, podem ser escondidos numa bolsa ou num carro. O iPhone avisa quando um rastreador desconhecido anda com você. No Android 12 ou mais novo, o caminho é Configurações › Segurança e emergência › Alerta de rastreador desconhecido, e ali dá para fazer uma busca na hora.
Um detalhe que importa: ao encontrar o rastreador, você pode tocar em Tocar som para achá-lo pelo barulho, e quem instalou não é avisado disso. Guarde as provas antes, porque o Android apaga os alertas depois de 48 horas.
Confira o celular
No iPhone
Use a Verificação de Segurança, em Ajustes › Privacidade e Segurança. Ela foi feita para isso: mostra com quem você compartilha localização e dados, e a opção Redefinição de Emergência corta tudo de uma vez — todas as pessoas e todos os apps.
Aplicativo espião no iPhone é raro — quase sempre depende da senha do seu ID Apple. Por isso, no iPhone, o mais importante é proteger o ID Apple: senha nova e autenticação de dois fatores.
No Android
Os nomes mudam um pouco de fabricante para fabricante. Se não achar, use a busca das Configurações.
- Apps de administrador do dispositivo (em Segurança): desconfie de qualquer um que você não reconheça.
- Acessibilidade: aplicativo espião costuma pedir esse acesso para ler a tela. Veja se há algum que você não conhece.
- Google Play Protect: na Play Store, toque na sua foto › Play Protect. Veja se está ligado — quem instala aplicativo espião costuma desligá-lo — e faça uma verificação.
Guarde provas antes de mudar qualquer coisa
Fotografe a tela, de preferência com outro aparelho: aplicativos estranhos, aparelhos conectados, mensagens, ameaças. Anote datas e o que a pessoa sabia sem você ter contado. Isso sustenta um boletim de ocorrência e um pedido de medida protetiva.
Quando decidir agir
Com um plano de segurança pronto:
- De um aparelho seguro, troque as senhas das contas principais. Comece pelo e-mail e pela conta Google ou Apple.
- Ative a verificação em duas etapas.
- Desconecte os aparelhos que você não reconhece e desligue os compartilhamentos de localização.
- Se houver aplicativo espião, a forma mais segura de tirá-lo é restaurar o celular de fábrica — sem voltar um backup antigo, que pode trazê-lo de volta.
Isto é crime, e você tem direito a proteção
- Perseguir alguém, inclusive pela internet, é crime (artigo 147-A do Código Penal).
- Invadir o celular ou as contas de outra pessoa é crime (artigo 154-A do Código Penal).
- Contra a mulher, vigilância constante e perseguição são formas de violência psicológica pela Lei Maria da Penha, que garante medidas protetivas de urgência. A violência psicológica contra a mulher também é crime (artigo 147-B do Código Penal).
Onde pedir ajuda
- 190 — Polícia Militar, em emergência.
- 180 — Central de Atendimento à Mulher: gratuita, 24 horas. WhatsApp (61) 9610-0180.
- Delegacia da Mulher, ou qualquer delegacia — e a delegacia eletrônica do seu estado.
- Defensoria Pública — orientação jurídica gratuita, inclusive para pedir medida protetiva.
- Canal de Ajuda da SaferNet Brasil — orientação anônima e sigilosa sobre violência na internet.
Se a sua conta foi tomada, veja também Minha conta foi invadida: o que fazer agora.
Onde pedir ajuda
- Ligue 180 — Central de Atendimento à Mulher
Gratuita, 24 horas, todos os dias. Também por WhatsApp e por e-mail.
- Canal de Ajuda da SaferNet Brasil
Orientação gratuita, anônima e sigilosa sobre violência na internet, por chat ou e-mail.