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Inovação Social

Da degradação da nascente à mobilização comunitária no território

Celso Niger

Casa Hacker

publicado 18 de junho de 2026tempo de leitura ~5 min
Placa de madeira pintada à mão entre as árvores identifica a Área de Proteção Permanente da Nascente Cachoeirinha do Itajaí, com o logotipo do coletivo Eco Resistência.

A trajetória do Coletivo Ecoresistência na APP do Parque Itajaí 4 com apoio do Fundo da Quebrada

O projeto Eco Resistência na APP do Parque Itajaí 4 foi construído a partir de uma urgência concreta do território: proteger uma área de preservação permanente localizada na rua Adriana Altamira Cotomacci, abaixo da Praça João Amazonas, em uma região marcada pelo descarte irregular de lixo e entulho e pela presença de animais que agravavam o processo de degradação da nascente. Com apoio do Fundo da Quebrada, a iniciativa estruturou ações de limpeza, cercamento e mobilização comunitária para recuperar o espaço e fortalecer seu uso coletivo.

A preservação ambiental como ação de cuidado com a comunidade

Desde a inscrição, o projeto foi apresentado como uma ação de preservação e sustentabilidade voltada à limpeza da área, retirada de resíduos, cercamento da nascente e criação de condições para impedir novos descartes e proteger o espaço. Entre os resultados esperados estavam a melhoria do fluxo de água, a proteção da nascente contra animais e rejeitos e o fortalecimento da autoestima da população local, mostrando que a proposta não tratava apenas de uma intervenção ambiental, mas também de uma ação de cuidado com a vida cotidiana do bairro.

Ao longo da execução, essa perspectiva se confirmou. A prestação de contas registra que as ações beneficiaram cinco bairros do entorno, com impacto sobre aproximadamente 50 mil moradores que circulam pela região e mais de 5 mil residentes diretos no bairro. Já o relatório técnico de ações aponta 3 mil pessoas beneficiadas, o que mostra a amplitude territorial da iniciativa e sua relevância para além do ponto exato da nascente.

Área da nascente e ações de cercamento realizadas pelo Coletivo Ecoresistência no Parque Itajaí 4.

Limpeza da nascente e ações de cercamento realizadas pelo Coletivo Ecoresistência no Parque Itajaí 4.

Parte do Lixo retirado do leito da nascente, realizadas pelo Coletivo Ecoresistência no Parque Itajaí 4.

Mutirões, cercamento e proteção do espaço

A execução do projeto articulou diferentes frentes. Foram realizados três mutirões, somando 24 horas de atividades, com ações de cercamento, limpeza, logística de operação e oferta de alimentação para voluntários e comunidade. A instalação de mourões, arames, esticadores e a perfuração do solo foram centrais para garantir mais segurança à área. Também houve compra de luvas, sprays e sacos plásticos para os mutirões, além de custos de combustível, pedreiro e ajudante para viabilizar a operação no território.

Resultados e avanços da iniciativa

Os resultados alcançados mostram a importância de uma ação ambiental ancorada na participação popular. Os documentos registram que o espaço ficou mais seguro e limpo, favorecendo a circulação de moradores e o uso comunitário da área. Também aparece como avanço o aumento do engajamento da população, com presença de jovens e crianças nos mutirões, fortalecendo o senso de pertencimento e o vínculo com o território.

Esse ponto é especialmente importante porque a proposta inicial já vinculava a recuperação ambiental a uma transformação mais ampla na relação da comunidade com o espaço. Ao cercar, limpar e reorganizar a área da nascente, o Coletivo Ecoresistência não apenas protegeu um bem ambiental, mas também ativou uma experiência coletiva de cuidado e responsabilidade compartilhada sobre o território.

Articulação e mobilização em rede

A iniciativa também ganhou força por meio das parcerias construídas ao longo do processo. Entre os apoios registrados estão a Associação de Moradores do Parque Itajaí 3 e 4, voluntários locais, comerciantes da região, PROESP, pequenos agricultores, Quebrada em Movimento, Horta Comunitária, MPA Campo Grande, Pé na Estrada e ONG Gabriel. Esses apoios envolveram mobilização, instalação da cerca, limpeza, apoio logístico e colaboração com insumos e alimentação, mostrando que o projeto foi sustentado por uma rede comunitária diversa.

Essa dimensão coletiva ajuda a explicar por que a ação teve reverberação para além da obra física. O cercamento da nascente se tornou também um ponto de encontro entre moradores, organizações e parceiros locais, reforçando a ideia de que a preservação ambiental ganha mais força quando se transforma em pauta compartilhada no território.

Placa feita por voluntários escrito APP Área de proteção permanente, nascente cachoeirinha Itajaí, Lei Nº 12.651/2012

Giovani Abaixado com tintas ao seu redor pintando a placa que esta deitada no chão com um pincel.

Uma pessoa assinando a lista de presença e outra segurando uma flor em sua mão

Voluntários reunidos com paisagem verde ao fundo, posando para foto com punhos cerrados, Ana ao canto tirando uma foto da cena

Placa feita pelas crianças dizendo: O que vai pra nascente vai parar na gente!

Crianças sentadas realizando atividade de pintura, embaixo de uma tenta com a bandeira do NPA pendurada.

Registro em vídeo da atividade

O registro audiovisual dessa experiência pode destacar justamente o caráter coletivo da ação. As evidências apresentadas pelo coletivo mostram mutirões de limpeza, participação de moradores, jovens e crianças, instalação do cercamento, retirada de resíduos e mobilização em torno da proteção da nascente. Em um projeto como esse, o vídeo ajuda a mostrar que a recuperação da área não foi apenas uma obra pontual, mas um processo comunitário de cuidado ambiental.

Compartilhamento nas redes

Nas redes, a comunicação do projeto também cumpre um papel importante de sensibilização e continuidade. A prestação de contas registra a produção de panfletos informativos e aponta o perfil @ecoresistencia1 como canal de divulgação. Esse tipo de comunicação amplia a visibilidade da ação, fortalece a mensagem de preservação e ajuda a manter viva a mobilização contra o descarte irregular de lixo na região.

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Perspectivas para as próximas atividades

As possibilidades de continuidade já aparecem de forma clara nos próprios documentos do projeto. O coletivo indica que a manutenção dos resultados depende da continuidade dos mutirões junto à população que utiliza o local como via de acesso, abrangendo nove bairros, além da busca por novas parcerias com comerciantes, voluntários e instituições públicas para sustentar o monitoramento e futuras ações de preservação. Isso mostra que o Fundo da Quebrada foi importante não apenas para viabilizar uma intervenção imediata, mas para consolidar uma base de proteção e mobilização que pode seguir ativa no território.

No caso do Coletivo Ecoresistência, o apoio do Fundo da Quebrada permitiu transformar uma situação de degradação ambiental em uma experiência concreta de recuperação, cuidado e engajamento comunitário. O projeto mostra que ações de preservação ganham ainda mais potência quando combinam infraestrutura, mobilização popular e compromisso contínuo com o território.

appecoresistencianascente sem lixopreservação ambiental

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