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Inclusão Digital

Bytes de Mudanças: pesquisa de território em inclusão digital

A pesquisa de campo que ouviu o Parque Via Norte e a Vila Olímpia, em Campinas — produzida por educadoras do próprio território

Layne Gabriele

Casa Hacker

Geraldo Barros

Diretor Executivo · cofundador

Carolina Jansen

Casa Hacker

publicado 7 de agosto de 2024tempo de leitura ~2 min

Por que uma pesquisa feita pelo território

Comunidades negras e periféricas têm sido frequentemente vítimas de estereótipos e silenciamentos ao longo da história do Brasil — uma imagem distorcida alimentada pela mídia, pela cultura popular e pelos discursos públicos, e também pela falta de produção de dados coerente com a realidade do território. A ideia de que a periferia é apenas o lugar da precariedade reduz a complexidade desses espaços e apaga suas potências.

O Bytes de Mudanças parte do princípio oposto: pesquisa produzida dentro da favela, coordenada e desenvolvida por pessoas que são do território. As pessoas entrevistadas são sujeitas dos dados produzidos, não meros objetos — têm controle, agência e participação na construção e na narrativa das próprias experiências. Como escreve Grada Kilomba, “trata-se do momento em que o sujeito falante fala de sua própria realidade, um ato real de descolonização e resistência política” (KILOMBA, 2019).

O contexto

A pesquisa nasce da atuação conjunta da Casa Hacker e do Instituto Semear em dois territórios de Campinas (SP): o Parque Via Norte e a Vila Olímpia. O pano de fundo é o abismo digital brasileiro — a internet chega a 90% dos domicílios, mas as habilidades digitais básicas não acompanham, e é nas periferias que essa distância cobra o preço mais alto: no acesso a direitos, serviços, renda e participação.

Mensurar com rigor era parte do compromisso: a pesquisa estabelece linha de base e medição de resultados, praticando a geração cidadã de dados — dados produzidos pela comunidade, para orientar decisões da comunidade.

Metodologia

Educadoras dos dois territórios foram formadas e conduziram todas as etapas:

  1. Sessões generativas — oficinas participativas com adultos na Vila Olímpia e com crianças no Via Norte, para emergirem temas, práticas e desejos em torno da tecnologia;
  2. Validação com os educadores — as sínteses das sessões voltaram às equipes locais para checagem e ajuste;
  3. Questionários — aplicados nos dois territórios, cobrindo perfil demográfico (identidade de gênero, cor/raça, idade), acessos, habilidades e interesses;
  4. Entrevistas em profundidade — participantes de 10 a 65 anos, ouvidos sobre usos, medos e aspirações.

O que a pesquisa mapeou

  • Perfil demográfico dos territórios pesquisados;
  • Acessos: quais dispositivos e conexões existem de fato nas casas;
  • Potências e habilidades já desenvolvidas — o que as pessoas já sabem e fazem com tecnologia;
  • Habilidades a desenvolver e as dificuldades no caminho;
  • Medos no uso da internet (“você tem medo de alguma coisa quando usa a internet?”);
  • Interesses: o que as pessoas fazem no celular, que cursos desejam, o que criariam com tecnologia e com o que sonham trabalhar.

O que ela gerou

Os achados fundamentaram as trilhas de aprendizagem de inclusão digital por faixa etária — a tecnologia social do Inclusão Tech transferida a organizações de assistência de Campinas — e seguem abertos para uso por pesquisadores, educadores e gestores públicos.

↓ Baixar o livro eletrônico completo (PDF, 42 páginas)

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Como citar esta publicação

Se você usar este texto em trabalho acadêmico, jornalístico ou em outra publicação, peço a gentileza de incluir a citação completa:

GABRIELE, Layne; BARROS, Geraldo; JANSEN, Carolina. Bytes de Mudanças: pesquisa de território em inclusão digital. Campinas: Associação Casa Hacker, 2024. Disponível em: https://casahacker.org/publicacoes/bytes-de-mudanca-livro-digital/. Acesso em: 9 out. 2026.

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