pular para o conteúdo
Educação STEAM

Formação de Educadores no Inclusão Tech

Como etapa final do projeto Redes Conectadas, a Casa Hacker formou educadores de quatro instituições para que cada um pudesse dar continuidade à inclusão digital em seu próprio território.

Aliene Villaça

Coordenadora Pedagógica STEAM

publicado 24 de abril de 2026tempo de leitura ~4 min

Redes Conectadas: uma parceria que transforma

Redes Conectadas em ação

Desde 2024, a Casa Hacker desenvolve projetos de Inclusão Digital em parceria com quatro organizações: Casa Santana, CECOMPI, ADRA e Núcleo Calvariano. Juntas, essas instituições formaram o Redes Conectadas, iniciativa que integra o programa Inclusão Tech da Casa Hacker.

Com financiamento da FEAC, cada instituição construiu sua sala de informática. A Casa Hacker entrou com o suporte técnico, o desenvolvimento da metodologia e a aplicação das aulas — com seus próprios educadores atuando diretamente nas instituições. Crianças, jovens e adultos acima de 50 anos participaram de formações voltadas para tecnologias e segurança digital — momentos ricos em troca, aprendizado e aplicação prática.

Como etapa final do projeto, foi realizada uma formação para os educadores das quatro instituições. O objetivo era apresentar as trilhas de aprendizagem desenvolvidas para cada faixa etária e aprofundar o conhecimento sobre a metodologia adotada, para que cada educador pudesse dar continuidade ao projeto em sua própria instituição.

O Encontro

Em janeiro e fevereiro de 2026, aconteceu uma formação de 24 horas com os educadores das quatro instituições. Os temas centrais foram Pedagogia de Projetos e Inclusão Digital.

Ao longo dos encontros, foram abordados assuntos como: o que são habilidades digitais para diferentes faixas etárias, como aplicar trilhas pedagógicas, como planejar e avaliar projetos a partir da Metodologia Baseada em Projetos (ABP), e como utilizar diferentes plataformas em atividades pedagógicas.

O diferencial da formação foi justamente a forma como esses conteúdos foram trabalhados: a partir da própria metodologia da ABP. Os educadores investigaram os temas, levantaram hipóteses, testaram seus conhecimentos, analisaram materiais e criaram seus próprios projetos — tudo isso em troca com os colegas. Na prática, vivenciaram exatamente o que seriam desafiados a propor para seus alunos.

Grupo de Educadores que participaram da formação.

ABP x Metodologias Tradicionais: qual é a diferença?

O que torna a ABP diferente

A Aprendizagem Baseada em Projetos coloca o estudante no centro do processo. Inspirada em pensadores como John Dewey e aprofundada por pesquisadores como Bender (2012) e Johnson & Johnson (1999), a ABP valoriza a participação ativa, o trabalho cooperativo e a construção do conhecimento a partir de problemas reais. Os projetos precisam ser:

  • Autênticos: conectados à realidade e com sentido genuíno para o aluno;

  • Realistas: aplicáveis fora da sala de aula.

Quando o aluno enxerga significado no que aprende, o engajamento vem naturalmente.

Nas metodologias tradicionais, por outro lado, o foco está na memorização e na repetição de conteúdos. O aluno ocupa um papel passivo, sem necessariamente conectar o que aprende com sua vida real.

No contexto do ensino de tecnologias digitais, essa diferença é ainda mais evidente. Não basta saber executar um exercício — é preciso saber aplicar. E é exatamente isso que a ABP propõe.

Os resultados que ficaram

Mudança de perspectiva dos educadores

Durante as formações, era comum ouvir dos educadores que, ao serem indicados para o curso, não se sentiam preparados para trabalhar com tecnologias digitais. Ao longo do processo, no entanto, muitos relataram uma mudança significativa de perspectiva.

Isso porque havia um equívoco comum: acreditar que ensinar tecnologia exige ser um especialista técnico. A formação mostrou que o principal objetivo é desenvolver nos alunos um uso consciente, prático e responsável das ferramentas digitais — e isso está ao alcance de qualquer educador comprometido.

Um exemplo concreto: dias após a formação, uma educadora entrou em contato para contar que havia planejado uma aula utilizando toda a estrutura apresentada no curso. O resultado foi muito positivo — os alunos participaram ativamente, trabalharam em duplas e trouxeram grande satisfação à educadora.

Esse relato reforça uma ideia central: orientar educadores, apresentar estratégias e instrumentalizá-los faz toda a diferença para que consigam propor atividades que realmente atendam — e motivem — seus alunos.

Como dizia Paulo Freire: “A reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação teoria/prática. Sem ela, a teoria vira blá-blá-blá e a prática, ativismo.” (FREIRE, 1996). Pensar criticamente sobre o próprio fazer pedagógico é o que transforma um educador em um agente de mudança — e é exatamente isso que o Inclusão Tech busca despertar.

Referências

BENDER, W. N. Aprendizagem baseada em projetos: educação diferenciada para o século XXI. Porto Alegre: Penso, 2012.

DEWEY, J. Experience and education. New York: Macmillan, 1938.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

JOHNSON, D. W.; JOHNSON, R. T. Learning together and alone: cooperative, competitive, and individualistic learning. 5. ed. Boston: Allyn and Bacon, 1999.

Como citar esta publicação

Se você usar este texto em trabalho acadêmico, jornalístico ou em outra publicação, peço a gentileza de incluir a citação completa:

VILLAÇA, Aliene. Formação de Educadores no Inclusão Tech: Como etapa final do projeto Redes Conectadas, a Casa Hacker formou educadores de quatro instituições para que cada um pudesse dar continuidade à inclusão digital em seu próprio território.. Campinas: Associação Casa Hacker, 2026. Disponível em: https://casahacker.org/publicacoes/formacao-de-educadores-no-inclusao-tech/. Acesso em: 9 out. 2026.

@online{casahacker-2026-formacao-de-educadores-no-inclusao,
  author = {Aliene Villaça},
  title = {Formação de Educadores no Inclusão Tech},
  year = {2026},
  organization = {Casa Hacker},
  url = {https://casahacker.org/publicacoes/formacao-de-educadores-no-inclusao-tech/},
  urldate = {2026-10-09}
}
norma ABNT NBR 6023para LaTeX e gestores de referência
citação copiada ✓

Esta publicação está sob licença Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 (CC BY-SA 4.0). Você pode copiar, remixar, traduzir e adaptar livremente, desde que cite a fonte original e mantenha a mesma licença.

// mais publicações

Doe

O link abre a página de doação do BTG Pactual, com as formas de pagamento disponíveis.

Doar em reais

De fora do Brasil

Para transferência internacional, use os dados abaixo. Escolha a moeda: o que muda entre elas é o banco intermediário.

Os nomes dos campos estão em inglês porque é assim que eles aparecem no formulário do seu banco.

Vale para as duas moedas

Creditor Agent (BICFI)BPABBRRJ
Creditor AgentBANCO BTG PACTUAL S.A.
Bank addressPraia de Botafogo, 501 — Rio de Janeiro — Brazil
IBAN / OtherBR8130306294000500002143176C1
BeneficiaryASSOCIACAO CASA HACKER
Beneficiary addressRua Doutor Renato Paes de Barros, 618 — Itaim Bibi — São Paulo — SP — 04530000 — Brasil

USD

Intermediary Agent (BICFI)CITIUS33
Intermediary AgentCITI, NEW YORK — US
BTG account with intermediary36317173

EUR

Intermediary Agent (BICFI)CHASDEFX
Intermediary AgentJP MORGAN FRANKFURT — DE
BTG account with intermediary6231431278

Remittance Information é opcional: use para identificar o pagamento, se quiser.

Confira os dados na tela do seu banco antes de confirmar a transferência.

ver página completa →