A II Feira de Ciências InterCOCEN, realizada pela Universidade Estadual de Campinas neste mês de setembro, foi uma oportunidade de conectar o que vem sendo ensinado para os alunos do projeto Hackerclubes com as possibilidades de impacto na vida além da sala de aula.
A educação STEAM se completa nesse lugar: quando ultrapassamos as paredes da sala de aula e nos conectamos com a realidade dos alunos (e suas infinitas possibilidades de futuro).
Figura 1. II Feira de Ciências InterCOCEN
Das Pequenas para as Grandes Aplicações
Nas atividades do Hackerclubes, os estudantes aprendem os fundamentos da eletrônica, programação, modelagem e impressão 3D, segurança digital e cidadania. O desafio, muitas vezes, é fazer com que eles enxerguem onde esse aprendizado pode ser aplicado em uma escala maior.
Na II Feira de Ciências InterCOCEN, essa ponte se construiu de forma mais concreta. Os estudantes puderam ver os mesmos conceitos trabalhados ao longo das aulas servindo como base para pesquisas de ponta na universidade. Além das aplicações mais esperadas, também tiveram contato com pesquisas nas áreas de saúde, música e memória, entendendo como a tecnologia acaba por abarcar diversos campos.
Os microcontroladores foram vistos em aplicações de arte sonora computacional do Núcleo de Comunicação Sonora (NICS) e com sensores de monitoramento no Centro de Pesquisas Meteorológicas (CEPAGRI).
A impressora 3D, usada em sala para impressão de modelagens mais simples em PLA, foi apresentada para a biofabricação de tecidos e engenharia biomédica Laboratório de Biofabricação e Engenharia de Tecidos (BioEnT Lab).
Além disso, houveram reflexões sobre segurança e uso consciente da tecnologia por diversos grupos da universidade. Essa vivência mostrou aos estudantes que o que vemos juntos no Hackerclubes é a base da inovação científica, e puderam perceber possibilidades que o estudo da tecnologia oferece.
Rompendo Muros: Universidade como Possibilidade Real
Existe uma distância física relativamente curta entre Sumaré e os campi da Universidade Estadual de Campinas, mas essa distância ao ser vivida por jovens da periferia costuma se alargar. Para muitos alunos do ensino básico público, a universidade ainda é vista como um espaço inalcançável, por diversos motivos.
Levar a turma do Hackerclubes para terem contato, mesmo que indireto, com a universidade acaba por ajudar no processo de quebra dessa barreira. A possibilidade de interagirem com pesquisas, pesquisadores e docentes, faz com que o espaço universitário se torne uma possibilidade mais palpável.
Figura 2. Estudantes da Escola Estadual Professora Maria de Lourdes Martins participantes do Hackerclubes na II Feira de Ciências InterCOCEN
A presença no evento levantou debates sobre os sonhos de futuro dos alunos, e possibilitou a conversa sobre quais os meios para alcançar o ensino superior. Os alunos puderam tirar dúvidas durante o evento, falar sobre em sala de aula e, ainda, contar de forma mais próxima sobre o que desejam para o futuro para nós, professoras, que passamos pela graduação na Unicamp e hoje seguimos no mestrado em universidades públicas.
Desenhando Opções de Futuro
Proporcionar aos jovens uma imersão no mundo da pesquisa científica, mesmo que por poucas horas, é garantir que o ensino STEAM cumpra seu papel ao alimentar a curiosidade, construir repertório e mostrar aos jovens que eles não precisam ser apenas consumidores de tecnologia, mas também podem ser cientistas e criadores.